Realidade aumentada cada vez mais presente

Segundo consultor, sociedade caminha para integração total do virtual com o real. Aposta está na oferta de serviços

MC Koringa agita o Baile da SantaMC Koringa agita o Baile da Santa - Foto: Divulgação/Pedro Paiva

Quem não conhecia a Realidade Aumentada (AR), com certeza, descobriu após o ‘boom’ do jogo Pokémon Go. No entanto, nos dias de hoje, quando tudo acontece mais depressa - principalmente quando o assunto é tecnologia - torna o que acabamos de conhecer em uma mera “demonstração”.

Essa novidade, popularizada pela Nitendo, já é vista por estudiosos da área como apenas uma “amostra superficial” do que a AR pode verdadeiramente fazer. Agora, imagine só: algo considerado “superficial” já gerou cerca de R$ 45 milhões para a empresa de jogos e vem sendo uma das mais impactantes estratégias de marketing adotada pelos estabelecimentos comerciais do Brasil, inclusive de Pernambuco. Quem dirá quando essa tal de realidade aumentada se mostrar completamente?

Consultor de tendências do Porto Digital, Jacques Barcia, acredita que o caminho cursado pela sociedade é em direção à integração total do virtual com o real. “Vai chegar o momento que não vamos mais ‘estar’ conectados à internet, nós vamos ‘ser’ a internet”, comenta.

“O que esperávamos que fosse demorar uma década está acontecendo agora. Talvez, hoje, não imaginemos que nosso contato com esse mundo pode não ser mais o smart­­phone, mas, a partir de 2020, provavelmente teremos outros meios”, acrescenta. Sendo assim, se o comportamento das pessoas muda, as formas de convivência também. E, nesse embalo, entram os empresários e comerciantes - que se adequam para atrair mais clientes.

O Pokémon Go, nos Estados Unidos, por exemplo, aumentou em 75% as vendas de uma cafeteria em apenas um fim de semana. Isso tudo a partir da ativação do “módulo atração”, função disponível na loja do próprio jogo e que pode ser comprada com “pokécoins” - os quais podem ser adquiridos com dinheiro mesmo.

Depois de ativo, os monstrinhos são atraídos para a pokéstop (ponto com itens necessários para o jogo) da área. Mas não precisa ir tão longe: aqui no Recife, o restaurante Bode do Nô também entrou na brincadeira e já registrou aumento de 25% do fluxo.

Outra empresa que está visando o futuro é o site chinês de e-commerce Alibaba. O gigante está em negociação com a Magic Leap - empresa financiada pelo Google - e está construindo um sistema de realidade aumentada no valor de US$ 1 bilhão. O site pretende oferecer uma experiência diferenciada de compra, que permitirá o usuário ver hologramas tridimensionais dos produtos através de óculos especiais.

A tendência de agora em diante, na opinião do consultor Barcia, é que as empresas se tornem cada vez mais digitais. Isso significa mais atrativos interativos. “O próprio compartilhamento de dados que esses recursos requerem dos usuários já é uma informação desejada pelas empresas. Afinal, elas querem saber quem são e os perfis dos seus consumidores. A partir daí, a máquina do consumo pode girar ainda mais rápido”, conclui Barcia.

 

Entrevista >> Irving Suna, diretor de criação da da agência Fishy

"A experiência pode ser marcante"

Que possibilidades a realidade aumentada oferece hoje?

A realidade aumentada oferece diversas possibilidades. Desde 2009 desenvolvemos projetos para várias marcas utilizando a tecnologia com objetivo de proporcionar experiências diferenciadas aos seus consumidores, seja através de anúncios ou de games. Ela também pode ser utilizada na educação e treinamentos, uma vez que permite animações e simulações em terceira dimensão, facilitando o aprendizado e tornando-o mais interessante e interativo. Na medicina, há possibilidades de uso em estudos e até procedimentos cirúrgicos, por exemplo.

Como empresas podem utilizar o recurso para fidelizar e melhor servir os clientes? 

A tecnologia já foi bem explorada por marcas que buscam apresentar seus produtos e serviços através de uma experiência diferenciada. Diversas fabricantes de carros desenvolveram aplicações onde era possível ver o carro em 3D, girar, trocar suas cores ou brincar de dirigir o veículo virtualmente, por exemplo. A experiência, se bem projetada, pode ser marcante e isso é importante na propaganda, mas gosto muito quando a solução passa a ser uma ferramenta que presta um serviço e ajuda as pessoas. Nos Estados Unidos, a USPS desenvolveu um aplicativo que utiliza a realidade aumentada para indicar a caixa ideal para sua encomenda ao comparar o tamanho do objeto com os das caixas disponibilizadas pela empresa. Acredito que ao desenvolver uma ferramenta utilitária, a possibilidade do usuário permanecer mais tempo em contato com a marca tende a ser maior.

Você acha que a realidade aumentada tende a ganhar espaço nos próximos anos? Por que?

Sem dúvida, o Pokémon Go teve um papel importante na popularização da tecnologia para o grande público, porém, acredito que a fase de uso indiscriminado da realidade aumentada, apenas para fazer algo “legal”, passou. Espero que a tecnologia continue a se popularizar estando, cada vez mais presente no nosso cotidiano, oferecendo facilidades, otimizando o aprendizado, trazendo mais segurança e precisão nos procedimentos médicos e industriais e, porque não, proporcionando experiências marcantes que façam a diferença na vida das pessoas.

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