Recife busca solução para trânsito na Zona Sul

Após dois dias de trânsito caótico, a CTTU altera ciclos de semáforos na avenida Antônio de Góes

Vista aérea da avenida Antônio de Góes engarrafada no bairro do PinaVista aérea da avenida Antônio de Góes engarrafada no bairro do Pina - Foto: Rafael Furtado

Para amenizar os congestionamentos na avenida Antônio de Góes, que pioraram desde a última segunda-feira, com a volta às aulas, a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) decidiu alterar os ciclos verdes de quatro dos cinco semáforos da via. A medida foi anunciada na terça-feira (6) e tem início às 5h30 desta quarta-feira (7).

A avenida, principal rota de quem deixa a Zona Sul em direção à área central do Recife, recebe o tráfego das avenidas Boa Viagem e Conselheiro Aguiar e da pista leste da via Mangue. Desde segunda-feira (5), engarrafamentos ocorreram praticamente em qualquer horário irritando motoristas, que atribuem parte da piora a um trecho de 600 metros de Faixa Azul implantado em 9 de janeiro e beneficia 93 mil passageiros por dia.

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Pela manhã, o problema começa perto da Padaria Boa Viagem, a 3,8 km do cruzamento da Antônio de Góes com o túnel Josué de Castro, no Pina, onde o congestionamento se dissipa. Apesar de a avenida Boa Viagem receber um volume de veículos maior (38 mil/dia) do que a Conselheiro Aguiar (25 mil/dia), até esta terça-feira (6) era a segunda que tinha mais tempo semafórico no cruzamento com a Antônio de Góes.

Às 13h, o sinal ficava verde por 55 segundos para quem saía da Conselheiro Aguiar. Quem chegava pela avenida Boa Viagem tinha 45 segundos e enfrentava a falta de sincronia dos semáforos. Resultado: até uma hora e meia para um trajeto em geral feito em 20 minutos.

"Esse trânsito é imoral. As pessoas fecham o cruzamento, os sinais não funcionam juntos", reclamou o supervisor de vendas Kléber Magalhães, 42 anos. "Quando inauguraram a via Mangue, o tempo do sinal de quem vem daqui [da avenida Boa Viagem] diminuiu. Desde então a coisa só piorou", declarou o taxista Carlos André de Oliveira, 41.

Soluções
Segundo especialistas, é preciso investir em operação de tráfego sem comprometer conquistas como a Faixa Azul. Para o presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis em Pernambuco, Stenio Cuentro, uma opção seria desligar o semáforo que fica na saída da rua José Mariano Filho - que viabiliza o retorno a quem vai ao Riomar Shopping - e o do cruzamento com o túnel Josué de Castro. O controle seria feito por agentes de trânsito entre 7h e 9h.

"Quem saísse do túnel teria que seguir pela esquerda, para a Agamenon Magalhães. Você deixaria a pista da direita [da Faixa Azul] mais livre", analisou Cuentro. "A CTTU tem tido acertos nesse sentido, como nas mudanças na Ilha do Leite e na Beira-Rio", completou.

Ideias relativas à continuidade do túnel sob a Antônio de Góes e ao alargamento da ponte Agamenon Magalhães vieram à tona em 2016, quando a pista leste da via Mangue foi inaugurada, mas não avançaram. Seria uma forma de eliminar o semáforo daquele cruzamento, que trava todo o trânsito.

Ex-secretário de Transportes e Trânsito de Olinda e professor da UFPE, Oswaldo Lima Neto alerta que obras viárias não resolvem. "A via Mangue foi feita e já está engarrafada. Veículo é como gás: abriu, ele ocupa. Os EUA, meca dos automóveis, vêm trabalhando gestão de demanda. É restringir, cobrar pelo espaço que o carro ocupa, mas isso tem que vir com a melhoria do transporte público, para deixá-lo atrativo”, disse.

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