Recifes podem ter sido a causa de naufrágio do Navemar XII

Navio, que seguia para Fernando de Noronha com material de construção e um carro da Polícia Federal, afundou no último sábado

Oscar BarretoOscar Barreto - Foto: Hesíodo Góes/Arquivo Folha

 

O ponto do Litoral Norte onde o navio Navemar XII naufragou, na noite do último sábado (12), exige cuidados redobrados para quem navega. A avaliação é de especialistas ouvidos pela Folha de Pernambuco, que apontam, entre outros itens, a presença de recifes na região - nem todos, necessariamente, indicados em cartas náuticas. Conforme a Capitania dos Portos (CPPE), as causas e os responsáveis pelo incidente serão apurados por meio de um inquérito administrativo instaurado pela Marinha.

Nesta segunda-feira (14), a embarcação, que iria para Fernando de Noronha, permanecia emborcada perto da praia do Farol, em Olinda. Da areia, era possível enxergar somente o casco, além de mergulhadores, um barco e um navio que monitoravam a área.

A partida havia ocorrido no Porto do Recife, no fim da tarde do sábado. O naufrágio ocorreu por volta das 19h, após um percurso de sete milhas náuticas, ou quase 13 quilômetros. Os seis tripulantes foram resgatados por um barco de pesca e estão bem. Para o destino, o Navemar XII levava materiais de construção que seriam utilizados em obras numa quadra escolar e num posto de saúde, todas do Governo do Estado. Um carro da Polícia Federal também estava na carga.

Conforme informações da empresa proprietária, o navio havia sido adquirido na Bahia e fazia a primeira viagem para Fernando de Noronha. Com custo de R$ 3 milhões e capacidade de carga de até 150 toneladas, não estava lotado e tinha seguro.

Professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Pedro Pereira recorre a imagens de satélite e outras fontes de estudo para analisar as condições da região onde houve o naufrágio. "Na reta do Farol, há três recifes: um bem próximo da areia da praia, um no meio e outro externo. São recifes bem largos. É uma região em que há, realmente, um perigo para a navegação", explica, chamando atenção para uma desatualização dos registros dessas formações.

"Vários desses novos recifes não estão nas cartas náuticas. Há regiões ditas rasas em que não houve uma atualização", completa o estudioso, ressaltando, po­rém, que não é possível afirmar que recifes tenham relação com o incidente.

Prático de navios com 50 anos de experiência e ainda na ativa, Luís Augusto Araújo diz que a forma como o Navemar XII ficou após afundar pode dar indícios do que houve. "Emborcar é algo que ocorre, geralmente, por duas razões: ou a carga estava mal estivada, o que acho difícil de ter acontecido, ou o barco pegou um vento de través (vento de lado). Apesar de a navegação para Noronha ser tranquila, vale destacar que é em mar aberto", avalia.

A CPPE, além de monitorar o ponto do naufrágio desde domingo, esclareceu que orientou a empresa proprietária do navio a retirá-lo do local e que acompanha o planejamento dessa medida com o intuito de "preservar a segurança da navegação na área e a prevenção da poluição hídrica".

Sobre o atraso que as obras no arquipélago devem sofrer com a perda dos materiais, a Administração de Fernando de Noronha informou, em nota, que "a legislação permite dilação de prazo por fato superveniente" e que ampliará as datas de conclusão dos serviços. Já a responsável pelo navio não retornou às ligações da reportagem. O prejuízo com a perda da carga ainda não foi estimado.

 

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