Recuperadas, duas bicas centenárias oferecem água limpa no Sítio Histórico de Olinda

Bicas foram reinauguradas esta terça-feira na Cidade Alta de Olinda

Bica é reinaugurada na Sítio Histórico de OlindaBica é reinaugurada na Sítio Histórico de Olinda - Foto: Jose Britto/Folha de Pernambuco

Água de beber está disponível no Sítio Histórico de Olinda desde esta terça-feira (11). Duas bicas, com mais de 400 anos, foram reinauguradas pela prefeitura do município após nove meses de obras e R$ 227 mil do PAC Cidades Históricas, um investimento federal. Uma terceira bica está prometida para até o fim da semana.

De acordo com o secretário de Patrimônio, Cultura e Turismo de Olinda, João Luiz, as nascentes que servem de fontes para a água das bicas foram recuperadas, assim como a parte estrutural dos monumentos. “Ainda fizemos serviços de drenagem e instalamos um dosador de cloro, que vai permitir qualquer uso para a água, sem que os moradores fiquem com medo”, detalhou.


João Luiz conta que as bicas são um reforço real no abastecimento de água do Sítio Histórico. “Não é só pela beleza e pelo valor histórico. Também há um apelo social. As pessoas podem vir aqui e trazer baldes, dar banho em crianças, beber. Está como era antigamente, nos anos 1980. Eu mesmo vim aqui diversas vezes tomar banho”, lembra. “Antes a água não tinha deixado de existir, mas não era própria para o uso.”


O arqueólogo Plínio Victor, 67, mora há 44 anos na rua Henrique Dias, junto à bica de São Pedro, e lembra quando as pessoas vinham buscar água ali. “Houve uma época em que as pessoas precisavam dessa água por causa do abastecimento insuficiente. Hoje essa daqui é mais cenográfica, tem o valor estético e de patrimônio. Na Rua do Rosário, contudo, o problema continua e as pessoas ainda a utilizam como fonte para lavar roupas, por exemplo.”

As bicas do Rosário, de 1537 e a dos Quatro Cantos, de 1602, foram entregues nesta terça. A de São Pedro, datada de 1542, contudo, ainda está em obras. Uma intervenção no meio-feio foi necessária de acordo com o secretário. É a de maior vazão. Estava sem água em 2012, quando a mestre em Conservação e Restauração de Monumentos e Núcleos Históricos Vânia Avelar a pesquisou. A fonte de água havia sido desviada para uma galeria de águas pluviais devido ao seu grau de poluição. As outras duas continuavam a ter água, mas ambas estavam poluídas. Na época em que foram construídas, eram a única fonte de água do local, já que não havia saneamento.

Foi Vânia quem criou um projeto de recuperação das bicas e doou à prefeitura. Analisou cada detalhe dos monumentos. Sobre a bica do Rosário, ressaltou que “é, talvez, a única remanescente do Vale de Fontes, um riacho existente no século XVI. Tem estilo barroco, com curvas”. As duas mais antigas, ela e a dos Quatro Cantos, apresentam o símbolo de Olinda: um globo encimado por uma cruz latina. Ela explicou ainda que a bica dos Quatro Cantos possui o mesmo estilo da do Rosário, mas a de São Pedro é diferente, em estilo clássico e possui um pequeno pátio.

Veja também

Quatro em dez alunos pensaram em parar os estudos devido à pandemia
Educação

Quatro em dez alunos pensaram em parar os estudos devido à pandemia

Israel retira obrigatoriedade de uso de máscara em locais públicos fechados
Pandemia

Israel retira obrigatoriedade de uso de máscara em locais públicos fechados