Reeducandos realizam mutirão de limpeza ao longo da PE-15, em Olinda
A medida visa qualificar e promover a ressocialização dos presos reduzindo, também, o tempo da pena
Trinta e cinco reeducandos reforçam a manutenção da rodovia PE-15, em Olinda, em uma ação de ressocialização que começou nesta quinta-feira (4), através da Prefeitura de Olinda em parceria com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco e deve durar até dezembro. A medida tem o intuito de qualificar e promover a ressocialização dos presos que estão em regime aberto, reduzindo também, o tempo da pena.
De acordo com o Secretário de Infraestrutura de Olinda Marconi Madruga, a prefeitura ficará responsável por supervisionar a ação e ceder os equipamentos que vão ser utilizados na limpeza, além de fazer a remoção do lixo que for extraído do local. Já a orientação de como usar as ferramentas vai ser feita pelo Departamento de Estradas e Rodagem de Pernambuco (DER/PE).
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Ainda segundo o secretário, a responsabilidade da manutenção dessa via é do Estado, mas como se trata de um trecho que corta o município de Olinda, a prefeitura resolveu fazer a parceria. “A PE-15 está precisando passar por manutenção. A via está muito suja e com muito mato. Essa ação vai ajudar tanto os reeducandos, quanto a população”, ressaltou Marconi Madruga.
Os reeducandos receberam fardamento e equipamentos na Secretaria de Serviços Públicos, que fica em o Ouro Preto, Olinda, e seguiram em um ônibus da prefeitura em direção a PE-15, porém, um dos pneus furou no caminho. Outro ônibus foi enviado para seguir a viajem. Depois do transtorno, foi iniciado o trabalho de remoção de entulhos, capinação e limpeza da rodovia. “A ação que começa na divisa da PE-15 em Paulista, segue até próximo ao Classic Hall. Eles vão trabalhar de terça a sábado e, além de receber uma quantia em dinheiro pelo serviço prestado, vão ter um dia de da pena reduzida a cada três dias trabalhados”, contou Marconi.
Oportunidade
Sérgio Luiz da Silva, 53 anos, é natural de São Paulo. Veio para Recife em busca de emprego como motorista de ônibus, mas não conseguiu. “Eu encontrei várias dificuldades para trabalhar aqui, isso me levou a praticar vários delitos”, comentou. Ele foi detido em 2002 por tráfico de drogas e há um ano e três meses cumpre regime aberto e quer voltar ao mercado de trabalho. “Eu tenho que valorizar a oportunidade que eu tô tendo, para poder superar o obstáculo que é encontrar emprego”, completou.
Já Ronei Gabriel, 22 anos, foi preso por assalto à mão armada. Depois que saiu do regime fechado ele se inscreveu no ‘patronato’, que faz parte sistema penitenciário com cursos para quem quer estudar, trabalhar e retornar à sociedade. “Essa oportunidade vai fazer diferença na vida de muitos aqui. Encontrar emprego não tá fácil pra ninguém, imagina pra gente que já foi preso. Lá fora existe muita discriminação, temos que agarrar essa oportunidade”, relatou. E para Adílio da Silva Pereira, 35 anos - preso por triplo homicídio - o trabalho veio em boa hora. "Vou terminar a reforma da minha casa e ajudar a minha família”, comentou o preso que já cumpriu seis anos e três meses em regime fechado e três anos em regime semi-aberto e agora está em regime aberto.

