Refeno: Atrevida carrega história e imponência

Apontado como o maior barco de passeio da América Latina, veleiro é umas das atrações da 31ª edição do evento

Embarcação construída em 1923 preserva configuração Embarcação construída em 1923 preserva configuração  - Foto: Léo Malafaia

A Regata Internacional Recife-Fernando de Noronha (Refeno) estreia a categoria “Clássicos” na sua 31ª edição, que tem sua largada programada para este sábado. A proposta é incluir na competição barcos lançados à água até 1980. Entre os três inscritos, destaca-se o Atrevida. O renomado veleiro carrega 96 anos de história e é apontado como a maior embarcação de passeio da América Latina, devido aos seus imponentes 95 pés (29 metros) e 80 toneladas.

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Em 1923, um estaleiro em Boston, nos Estados Unidos, recebeu o recém-fabricado barco "Wildfire". A expectativa da tripulação em disputar as principais regatas na coste-leste americana foi superada após a navegação apresentar ótimo desempenho e conquistar prestígio com troféus. Vinte e três anos depois, o carioca Jorge Bhering de Mattos adquiriu o veleiro e o rebatizou para a atual alcunha. No entanto, seu espírito competidor se perdeu no Brasil naquela época. O tamanho exacerbado dificultava o velejo, inviabilizando a inscrição do Atrevida nas regatas brasileiras pelo novo proprietário.

O surgimento de tecnologias náuticas facilitou o manejo e retomou a possibilidade de navegar em competições. “Não havia recursos eletrônicos até 21 anos atrás. Hoje, com os equipamentos modernos, novamente ficou viável. Podemos controlar o barco com três tripulantes, sendo que precisaria de 15 a 30 anos”, explicou Atila Bohn, co-comandante do Atrevida. Originalmente, a tripulação da embarcação compreende 12 pessoas, mas as poucas manobras que compõem o percurso da Refeno retiraram a necessidade de reunir o grupo inteiro e o número foi reduzido para a metade.

As reformas e a aplicação de materiais mais simples para manuseamento não alteraram completamente o design do histórico veleiro. O formato se mantém quase o mesmo daquele atracado no estaleiro em Boston. “O layout de convés é praticamente igual, assim como o vidro bisotê e as cabines. A mastração tem a mesma proporção da original, mas não é a mesma. O mastro era feito de madeira, e a gente acabou colocando de alumínio porque a manutenção é mais fácil. A configuração continuou semelhante, mas muitas peças mudaram”, afirmou Atila.

Se a velocidade do Atrevida não é considerada ideal, a largada é o momento que mais deve incomodar os comandantes na Refeno. Segundo o co-comandante, a aceleração peculiar dos veleiros antigos prejudica o controle da aceleração na saída. “Nós somos muito maiores do que os outros barcos. Não temos uma manobrabilidade, ou seja, há uma estabilidade de rota que é particular dos barcos clássicos. É difícil mudar de rota e não tenho como controlar a velocidade. Por exemplo, a largada é uma grande dificuldade. Os barcos ficam parados esperando o tiro, enquanto eu não consigo parar o meu. Preciso ter cuidado para achar espaço na arrancada e conseguir passar.”

O sentimento de nostalgia que envolve a inserção de veleiros antigos nesta edição da Refeno não impede a criação de rivalidade entre os participantes. “Vou bater palmas, com muito orgulho, se o Kamaiurá for o vencedor na RGS ou nos Clássicos, porque é o espírito do clássico. Mas, pode escrever que eu vou fazer de tudo pra vencer ele de qualquer jeito (risos)”, disse Atila. Apesar das complicações, o co-comandante segue otimista com o tempo para percorrer as 300 milhas náuticas de percurso. “Vamos fazer alguma coisa de 30, 31 horas. É um tempo bom pro Atrevida”, avaliou.

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