Refeno: família fala sobre desafios de morar em barco

Participante da competição, tripulantes do Planckton reside na embarcação há mais de uma década

Veleiro concluiu Refeno em 2º lugar na categoria AlumínioVeleiro concluiu Refeno em 2º lugar na categoria Alumínio - Foto: Tsuey Lan Bizzocchi/Cabanga

FERNANDO DE NORONHA (PE) - Para muitos velejadores, barco é sinônimo de lar. Isso porque são muitos os que moram em suas embarcações. Um exemplo de vida em alto-mar vem dos tripulantes do Planckton, os paulistas Fábio Gandelman e Cecília Quaresma, ambos de 46 anos. Eles, juntos com o filho Igor, de 12 anos, e mais três tripulantes convidados, atravessaram as 300 milhas náuticas (550 quilômetros) da Regata Internacional Fernando de Noronha (Refeno) deste ano em 44h52min05s. Esse tempo de prova posicionou o veleiro de 43 pés de comprimento (cerca de 13 metros) na segunda posição em sua categoria, a Alumínio, lançada este ano pelo Cabanga Iate Clube após desmembramento da categoria Metal.

"A regata deste ano foi dura, puxada. Saímos do Recife com bastante vento, havia umas ondas maiores", detalhou à reportagem Cecília, esposa do comandante Fábio, momentos após chegarem à ilha, na manhã de segunda-feira. Apesar disso, a prova correu sem maiores problemas. "O bom é que velejamos. Ontem (domingo)) melhorou, o mar baixou e chegamos bem", acrescentou.

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Participar da Refeno, aliás, não é novidade para a família. Igor ganhou o troféu de velejador mais jovem em sua primeira regata, em 2009, quando tinha apenas dois anos de idade. Cecília está em sua terceira edição e Fábio, na quarta. O comandante colocou o barco na água em dezembro de 2003 e vive nele desde então. Cecília chegou depois, em agosto de 2006, após alugar o Planckton para um charter (excursão turística) em Ilhabela, em São Paulo, e ambos se apaixonarem. Igor nasceu em setembro de 2007 e o veleiro ganhou um novo tripulante.

Apesar de parecer fácil, viver no mar exige abrir mão de certas coisas. Água, por exemplo, precisa ser racionada pelos tripulantes. O espaço e a energia também são limitados, mas, em troca, um maior contato com a natureza e uma melhor qualidade de vida. "A vida no barco é muito dura. Em geral, as pessoas romantizam muito a vida no mar. Apesar disso existem grandes vantagens, como viajar e conhecer outros países e paraísos como Fernando de Noronha", declarou Cecília. Aparentemente incomum por causa da escolha de viver no mar, a família é uma família como as outras, pois preza bastante pelo amor, companheirismo e respeito mútuo.

Mesmo vivendo em alto-mar, a educação de Igor não é deixada de lado pelos pais. O menino, que mora no Planckton desde que nasceu, em 2007, recebe aulas no barco. "Ele está no sexto ano (do ensino fundamental). Eu dou aula a ele a bordo. Sou professora formada em pedagogia. Fábio dá aulas de inglês, marcenaria e trabalhos pessoais", acrescentou a tripulante. Para Igor, morar em alto-mar é uma experiência única. "É muito legal. Acho muito bonito ver o mar, muitos peixes", disse o menino, que afirma sonhar ser um velejador como o pai quando crescer.

Em abril deste ano, a família ganhou mais um companheiro: o gato Amendoim, adotado por eles quando passavam em Parati, no Rio de Janeiro. "O Igor sempre pediu um gatinho e eu disse ao Fábio que ele já tinha me conquistado. A gente precisa tomar cuidados com ele, como com o sal do mar e levar ao veterinário", explicou Cecília.

Velejador experiente, Fábio relata que, em seus anos de navegação oceânica o avanço da tecnologia propiciou mais segurança e conforto a bordo. "Para a regata, por exemplo, a previsão do tempo é um diferencial. Hoje é possível ter a previsão atualizada o tempo todo graças a tantas formas de comunicação via satélite. É uma informação que faz a diferença você ter ou não ter", disse. Ele terminou de construir o barco em 2004 e hoje também ministra cursos para os iniciantes na vela.

A família fica agora mais uns dias em Noronha e depois parte para a travessia de volta da Refeno, até Cabedelo, na Paraíba. Eles ainda mantêm um site no qual compartilham experiências, agenda, cursos a bordo e visitações ao veleiro.

*O repórter viajou a convite do Cabanga Iate Clube

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