Rei e rainha d'Os Barba animam foliões no Poço da Panela

Rei e Rainha eleitos no bloco Os Barba esbanjam alegria ao representar o povo do Poço da Panela

Alessandra e Geraldo são a rainha e o rei desta edição do bloco Os BarbaAlessandra e Geraldo são a rainha e o rei desta edição do bloco Os Barba - Foto: Folha de Pernambuco

“É Os Barba, não Os Barbas”, faz questão de frisar Alessandra Lisieux, para que ninguém erre o nome do bloco que ocupa o Poço da Panela neste sábado (3). Alessandra, ao lado do seu marido, Geraldo Lima, ocupam os cargos de honra desta edição da festa: são a rainha e o rei escolhidos pelo público. Na tarde ensolarada, comemoram a ascensão ao trono do jeito que mais gostam: festejando. Junto a eles, outras 16 pessoas ocupam o cargo, em uma espécie de mandato cumulativo. Pela multidão, os reis e as rainhas se misturam aos foliões ao som de orquestras autônomas que embalam a pracinha em frente à Igreja do Poço da Panela.

Depois de anos frequentando o bloco (o casal comparece desde 2003, um ano depois de ele ter começado), Alessandra e Geraldo acreditam no destino: foram coroados justamente um dia após o time do coração, o Santa Cruz, ter completado 104 anos. E a fantasia não engana: de cima a baixo, colorem-se de preto, vermelho e branco. “Esse ano o pessoal disse ‘tem que ser vocês, tem que ser vocês’. Ainda teve um movimento de outro candidato tentando nos derrubar, mas não teve jeito!”, brinca Alessandra, que, junto ao marido, ganhou a “eleição” por 20 votos. “Esse ano, por coincidência, é o aniversário do Santa Cruz e o casal tricolor tem que fazer uma festa tricolor. Por isso nós viemos com a cobrinha coral para curtir isso aqui, essa magia”, diz.

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Para ela, é imprescindível que a realeza seja uma dupla que faz parte da vida do Poço. “O principal objetivo da gente é que seja alguém que viva a vida daqui, conheça Seu Vital, uma figura emblemática do bairro, e que o pessoal vá se identificando e escolhendo quem vai ser o próximo”, defende. O rei Geraldo, conhecido pela ajuda que presta à comunidade, concorda. “É uma brincadeira de adulto, é uma coisa lúdica linda. Desde o inicio eu dizia ‘relaxa, isso é Carnaval’, mas você vai chegando e começa a girar essa história, a comunidade vai chegando e é muito impressionante. Eu moro aqui desde 2003, mas eu nunca tinha tido essa noção do que o rei representa para comunidade”, avalia. “A comunidade na beira do rio viaja nessa história, o cara que conserta o carro deixa a barba crescer porque na cabeça dele Os Barba o representa. E não rola campanha eleitoral, você vai sendo levado”, comenta.

O teor popular e carnavalesco do bloco também não passa despercebido ao estudante de geografia Gabriel Medeiros, 19. “Eu venho desde pequeno, é um bloco muito bom. Ele começou com minha família e o pessoal de Seu Vital. É um bloco do próprio pessoal do Poço”, relembra. O engenheiro Flávio Luiz, em seu primeiro ano no bloco, decidiu abraçar completamente o conceito das barbas e pintar a sua de azul. “Eu achei interessante para entrar no clima. É meu primeiro ano e eu já gostando muito do bloco, está uma maravilha”, conversa.

A grande força d’Os Barba, acredita Geraldo, está na imaginação popular que, com o passar dos anos, foi criando uma imagem cada vez mais forte para o bloco. “Isso aqui é uma verdadeira loucura de Carnaval. A gente vai entrando no clima, eu e a minha rainha, totalmente sem pretensão nenhuma, mas fomos gostando da brincadeira. Só que chega um momento que vira uma coisa do imaginário popular: a comunidade começa a deixar a barba crescer, começam a questionar da fantasia… por mais que a gente queira manter uma insensibilidade em relação a isso, não tem como, porque você entra no clima. Está tudo no entorno disso aqui e leva você a entrar numa viagem maluca”, diverte-se. “O Carnaval é essa loucura coletiva. E, quem não gostar, vá para praia!”, esbraveja, gargalhando.

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