Restauro de casarão na Várzea na mira do MPPE

Ação civil pública exige da Prefeitura do Recife obras de recuperação. Local pode virar centro de comércio popular

PetrobrasPetrobras - Foto: Reprodução/Fotos Públicas

 

O Ministério Público Estadual (MPPE) ingressou com uma ação civil impondo à Prefeitura do Recife (PCR) a restauração do antigo prédio do Hospital Magitot, localizado no bairro da Várzea, na Zona Oeste. A medida prevê o início imediato das obras, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. O chalé, com 111 anos de construção, foi classificado como Imóvel Especial de Preservação (IEP), com integridade amparada por lei. No entanto, a estrutura em ruínas tem alto risco de desabamento. Com promessas que se arrastam há duas décadas e um projeto apresentado ainda em 2013, o espaço deve abrigar um centro de comércio popular, orçado em R$ 1,3 milhão. Moradores já chegaram a acampar no local e exigem a abertura de um mercado público.
“Enxergamos um grave indicativo de improbidade administrativa, com o desvio da finalidade dos recursos. É inadmissível que um imóvel tombado tenha sua importância desprezada, estando a ponto de ruir por completo. A gestão municipal não possui qualquer prazo e, quando questionada, não demonstrou nenhuma pretensão de restaurar o casarão”, explicou o promotor de Justiça Ricardo Coelho, à frente do caso. Conforme a PCR, o atual projeto deve contemplar 40 boxes de feira livre e 13 boxes fixos, além de banheiros públicos. As obras estão paradas. “O projeto não cita em momento algum a necessidade de o imóvel voltar a ter vida. As rachaduras e infiltrações representam uma ameaça”, destacou Coelho.
Resistindo no número 130 da rua Azeredo Coutinho, lateral da praça Pinto Dâmaso, o chalé romântico de dois pavimentos é um exemplar único em todo o Recife. No prédio, funcionou o primeiro centro odontológico da América do Sul, o Hospital Magitot. “Passamos a conviver com ele assim despedaçado, sempre esperando que algo pudesse mudar”, contou a dona de casa Tânia Santos, 60, que reside no bairro desde criança.

Dono de um comércio próximo, Paulo Lima, 45, aguarda com ansiedade por um espaço melhor para trabalhar. “Já foram feitos três cadastramentos e nenhuma resposta.” A espera é compartilhada pelo motorista Domingos Sávio, que também reside perto dali. “Quanto mais o tempo passa, pior fica”, lamentou.
Populares passaram a se reunir na área externa, promovendo movimentos culturais e oficinas de arte. Já não há mais portas ou janelas, o piso cedeu e todos os cômodos sofreram descaracterização. A área externa, antes tomada por mato e lixo, foi submetida a uma grande faxina num mutirão.
Procurada pela Folha de Pernambuco, a PCR informou, em nota, que ainda não foi notificada oficialmente. A Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural (DPPC) alegou que ainda está elaborando um projeto de restauração para o imóvel, sendo também executada uma consulta popular. Não foi informado prazo.

 

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