Retomando os laços de amizade

Arranhadas por causa da enxurrada de polêmicas que emergiram em 2018, inúmeras amizades tentam retomar a estabilidade nas relações

Retomando laços de amizadeRetomando laços de amizade - Ilustração: Hugo Carvalho

Muitas relações de amizade com mais de 15 de anos de existência balançaram no ano de 2018, intenso em muitos sentidos. Débora Targino e Elmo Guilherme, amigos desde a adolescência, romperam por meses e ainda encaram os laços afetivos abalados por conta de opiniões diferentes. “Eu ficava tirando onda com ela, postando fake news para provocá-la, porque eu sabia que ela ia se incomodar. Aí, um dia ela me disse que eu estava indo longe demais”, lembra Guilherme.

“Para mim, isso é questão de caráter. Você propagar fake news sabendo que se trata de uma notícia mentirosa, que vai alcançar e repercutir entre muitas pessoas, e insistir nisso, é falta de caráter”, rebate Debora. “A amizade está abalada, mas independentemente de qualquer coisa, é uma pessoa que sempre esteve ao meu lado. São anos de amizade, de companheirismo. No Natal, eu vou visitar a minha mãe e aproveitar para passar na casa dele para conversarmos”, ressalta.

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Os atritos entre os dois começaram em 2016 e foram aumentando com o passar do tempo. Até que no segundo semestre deste ano começou o rompimento. “A gente tentou por muito tempo manter o respeito e a sanidade. Eu conversava muito sobre isso com ele e, quando ele via que não tinha mais argumento, dizia que era melhor a gente parar para preservar a relação”, lembra Debora. “Depois, eu vi que tudo o que ele condenava, eu era. E que eu não queria ser amiga de uma pessoa mentirosa. E aí eu bloquei ele e paramos de falar.”

Com o bloqueio, Guilherme prometeu parar com as provocações. “Esperei dois dias para as coisas acalmarem e eu poder entrar em contato. Bajulei bastante, até que ela desbloqueou e voltamos a conversar. Hoje em dia eu acho que as coisas estão normais”, afirma.

“Para mim, nada é como era antes. Eu não o tenho mais nas redes sociais, só no WhatsApp. Mas, nesse clima mais sensível de fim de ano, a gente fica querendo deixar as coisas para lá. Recomeçar. Então, nossa relação de amizade pode vir a melhorar”, avalia Debora.

Já a situação da delegada aposentada Verônica Azevedo é ainda mais delicada porque ela rompeu com familiares. “De repente, estava todo mundo radical, intolerante. Certas pendências entre as pessoas ficaram mais evidentes no último ano. E, infelizmente, ainda há um clima de acirramento muito grande. Tenho a sensação de que algumas coisas ainda vão ficar para serem resolvidas apenas em 2019. É como se ainda não tivesse terminado”, revela.

Além de sair do grupo no WhatsApp que ela mantinha com outros moradores do condomínio onde mora, Verônica abandou o grupo que tinha com as primas, por causa do clima que permeou os relacionamentos no último ano. “Fizemos algumas tentativas de reconciliação e muitas coisas estão sendo superadas. Mas ainda há algumas decepções. Acredito que os laços de afeto e de sangue devem se sobrepor às questões ideológicas, mas devemos nos manter firmes e vigilantes na defesa do que acreditamos”, defende.

Assim como Débora, Verônica acredita que os debates que prevaleceram no último ano, muitas vezes estimulados por causa das eleições, fizeram com que as pessoas opinassem mais sobre os assuntos. E, assim, as divergências se acentuaram. “Hoje em dia, eu tenho outra leitura das pessoas. A partir dos temas que foram surgindo, divergimos em pontos que são muito claros. Eu até vi um meme na internet falando que 2018 acabou com a ceia das famílias. Foi uma tragédia que o brasileiro, pelo espírito que tem, transforma em uma grande comédia”, diz, entre risos. “Muita gente se afastou, infelizmente. Mas acredito que o caminho é se aproximar, conversar, ponderar e voltarmos todos para a realidade.”

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