Retrospectiva 2016: pedindo para o ano acabar logo

A temperatura subiu em os todos sentidos em 2016. Do clima quente na saúde, segurança e educação até a seca e vários incêndios

Durante o encontro que reuniu mais de mil prefeitos do Brasil e mais de 60 prefeitos pernambucanos, além de destacar os avanços do novo pacto federativo, o parlamentar defendeu o bônus da cessão onerosaDurante o encontro que reuniu mais de mil prefeitos do Brasil e mais de 60 prefeitos pernambucanos, além de destacar os avanços do novo pacto federativo, o parlamentar defendeu o bônus da cessão onerosa - Foto: Divulgação

 

O ano de 2016 foi dureza em muitos aspectos. No caso dos indicadores de primeira necessidade para o bem-estar e a sobrevivência da população não foi diferente. No Estado, as áreas de segurança, saúde, educação e mobilidade viveram situações de conflitos, por vezes extremos, que fizeram o pernambucano rezar para que o ano acabasse logo na esperança de que 2017 traga perspectiva mais favorável.
O clima de insegurança generalizada marcou 2016. Em Pernambuco, o número de homicídios não parou de crescer. Também não deram trégua os ataques a bancos. Moradores de dezenas de cidades do Interior incorporaram à rotina deslocamentos de dezenas de quilômetros para sacar dinheiro devido à destruição de agências e caixas eletrônicos próximos. O governo ampliou as investigações, desarticulou 13 quadrilhas, mas, no dia a dia, os resultados não apareceram.
Mais de mil ônibus foram assaltados no Grande Recife. Também não escapou o metrô, em que houve morte e bala perdida. Mulheres temeram a ação de estupradores, que fizeram vítimas à luz do dia e em ruas movimentadas. Em paralelo às ações criminosas, no início de dezembro policiais e bombeiros militares reivindicaram equiparação salarial aos policiais civis e entraram em operação-padrão, reduzindo o efetivo nas ruas. Diante do impasse nas negociações, o Governo do Estado requisitou à União tropas das Forças Armadas para reforçar a segurança.
Para o coronel reformado da Polícia Militar Luiz Meira, a piora nos indicadores foi uma junção dos efeitos da crise financeira às dificuldades do Estado em fazer cumprir o Pacto pela Vida. “Lá atrás se criou um Pacto que dependia muito de dinheiro. Na hora em que faltou dinheiro, ficou fragilizado. Isso gerou a falta de valorização das polícias. Sem polícia motivada nas ruas não tem segurança”, avalia.
Se ficou difícil andar de ônibus e de metrô por causa da insegurança, as viagens em outras modalidades de transporte também geraram transtornos. Em março, a ativação do Uber desencandeou protestos dos taxistas, com agressão física até a passageiros. A Prefeitura do Recife se posicionou a favor da concessão oficial e o impasse só teve trégua em novembro, quando a empresa que gerencia o aplicativo conseguiu a liberação do serviço na Justiça.
A temperatura também esquentou na área da educação, com dezenas de prédios de escolas e institutos federais ocupados por crianças e adolescentes em protesto às mudanças que afetam a área no âmbito nacional, como a reforma do ensino médio e a PEC-55. Para o professor Paulo Rubem Santiago, as ocupações demonstraram consciência política por parte dos jovens. “Ninguém mais do que o aluno sabe o que falta numa escola. Ele tem uma leitura muito concreta, nua e crua da carência que a escola pública tem no Brasil”, explica. “Foi uma manifestação de civismo e cidadania.”

Por outro lado, o professor destaca positivamente a elaboração de planos municipais de educação, que ajudam a prever que tipos de gastos serão feitos nas cidades com a antecedência de até uma década.
Clima quente faz lembrar que a temperatura elevada favorece um dos principais vilões: o mosquito Aedes aegypti. Surtos de dengue, zika e chikungunya também marcaram o ano. Em fevereiro, a OMS declarou a infecção por zika uma emergência mundial e confirmou a hipótese da associação entre zika e microcefalia levantada em Pernambuco.

No fim do ano já são mais de dois mil casos de microcefalia associados à zika no Brasil, flagelo que fez muitas mulheres adiarem os planos de gravidez. Recordes foram batidos, com mais de um milhão e meio de casos de dengue notificados. A chikungunya surgiu no início do ano como nova ameaça, com mais de 250 mil casos. Em março mais um susto: uma epidemia antecipada de gripe por H1N1, com mais de duas mil vítimas fatais no País.
O encerramento do caso da fosfoetalonamida, a “pílula do câncer”, foi um retrato do cenário conturbado. O caos nas unidades de saúde também foi notícia, com denúncias de falta de insumos básicos e leitos fechados em hospitais. Municípios e estados decretaram ou prorrogaram estado de emergência. A PEC que estabelece limites para o gasto público causou discussões acaloradas. E, ao longo do ano, houve inúmeras notícias de desvios criminosos de recursos. “Apesar desse cenário desanimador, a esperança de que dias melhores estão por vir ressurgiram no País, com importantes instituições de pesquisa, como Fiocruz, CPqAM-PE e Instituto Butantan, destacando-se mundialmente nas pesquisas de zika e no desenvolvimento de vacina para dengue”, ressalva Carlos Brito, consultor do Ministério da Saúde para Arboviroses.
Com tudo nas mais altas temperaturas, o meio ambiente também não ficou ileso. Além de viver mais uma seca histórica, o Estado passou a trabalhar com a perspectiva de desertificação do Agreste. Foi mais um ano de arrocho nas torneiras, com estiagem, seca e desabastecimento de água. Para o especialista em semiárido e recursos hídricos João Suassuna, o agravamento no quadro de exaustão dos mananciais se deu por falta de planejamento. “Colhemos os frutos de erros previsíveis. As barragens tiveram sua finalidade alterada, sem preocupação com o futuro. Jucazinho foi construído para resolver o fantasma das enchentes, mas foi transformado em salvação para inúmeros municípios. Houve extração desregrada até a última gota”, exemplifica. À população restou a terra seca, conforme mostrou a Folha de Pernambuco em reportagem especial, em agosto, após percorrer mais de 400 km em diversos municípios.
Como se não bastasse a falta d'água, o período de estiagem trouxe ainda incêndios em áreas de Mata Atlântica. O maior deles, em Taquaritinga do Norte, no início de dezembro, destruiu mais de 5 hectares e levou mais de uma semana para ser controlado.

Poucos dias depois, em Bonito, também no Agreste, outro incêndio consumiu quase 1 hectare da flora e fauna. Ambos os casos revelaram o despreparo e a falta de plano de contigência dos municípios para tal situação. Na mesma semana, na Capital, o fogo também devastou parte da Vila Santa Luzia, no bairro da Torre. Foi a segunda tragédia do gênero no ano. Em maio, a comunidade Construindo um Sonho, no Torreão, também foi parcialmente destruída por um incêndio da mesma proporção.

 

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