Revista Lancet publica correções em estudo sobre cloroquina, mas resultados permanecem

O estudo observacional compilou dados de cerca de 96 mil pacientes internados até 14 de abril em 671 hospitais

HidroxicloroquinaHidroxicloroquina - Foto: Divulgação/MS

A revista médica inglesa Lancet publicou nesta sexta (29) uma correção referente ao artigo publicado em 22 de maio que apontou que o uso dos cloroquina e hidroxicloroquina em pessoas não só não teve eficácia contra a Covid-19 como aumentou risco de arritmia e morte.

Segundo a publicação, porém, os resultados e conclusões continuam sendo os mesmos. "The Lancet encoraja o debate científico e publicará respostas ao estudo, junto com uma resposta dos autores, na revista", disse em rede social. As correções já foram feitas na versão online e estarão também na versão impressa.

O estudo observacional compilou dados de cerca de 96 mil pacientes internados até 14 de abril em 671 hospitais, e é a maior pesquisa sobre a eficácia desses medicamentos até agora.

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À luz desse estudo, a OMS (Organização Mundial da Saúde) decidiu suspender temporariamente os ensaios clínicos com hidroxicloroquina em vários países. Em seguida, a OMS retirou a cloroquina da lista de drogas que seriam testadas para tratamento da Covid-19 no programa internacional Solidarity.

As correções, segundo a revista, são:
- No primeiro parágrafo da seção Resultados, o número de participantes da Ásia e da Austrália deveria ter sido 8.101 e 63, respectivamente. O publicado foi 4.402 da Ásia e 609 da Austrália;

- Um hospital que se autodesignou como pertencente à Australásia deveria ter sido identificado como pertencente à Ásia;

- O apêndice do estudo também foi corrigido. A tabela S3 havia sido incluída erroneamente. Ela tinha originalmente criada na análise preliminar;
- Um sumário com dados brutos foi incluído.

O último ponto pode ter sido gerado após um grupo de mais de cem de cientistas escrever uma carta aberta endereçada ao editor da Lancet, Richard Horton, e aos autores do artigo requisitando detalhes sobre a origem dos dados e pedindo que o estudo seja validado de forma independente pela OMS (Organização Mundial da Saúde) ou por outra instituição.

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