Rio Ipojuca ganha um dia só para ele

Ação simbólica integra uma série de medidas que visam melhorar a qualidade do rio em seus 320 km de extensão

Rio IpojucaRio Ipojuca - Foto: Compesa/Divulgação

O rio Ipojuca, considerado o terceiro mais poluído do Brasil - perdendo apenas para o Tietê (SP) e o Iguaçu (PR) - agora tem um dia só para ele no calendário estadual. A partir de agora, os dias 9 de maio de cada ano não serão de comemoração, mas de reflexão sobre os problemas ambientais que a bacia, como um todo, sofre. Não é à toa o status que ele carrega, realidade que veio à tona após levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O reconhecimento pela data e sua inclusão no calendário oficial de datas comemorativas do Estado veio por meio da Lei nº 16.360/2018, de autoria da deputada Laura Gomes (PSB), e sancionada pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado.

Com 320 quilômetros de extensão, basta um olhar sobre o rio Ipojuca para ver que o recurso está bastante sofrido. Ao longo dos anos, as pessoas foram ocupando desordenadamente as beiras dos rios, um fator preponderante para acelerar o processo de assoreamento das margens e desmatamento da mata ciliar.

Acrescido a isso, o estuário do Ipojuca também foi bastante alterado, nos últimos 20 anos, em decorrência da instalação do Complexo Portuário de Suape, avalia o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do rio, Edson Lapa. “Outro grande problema é o despejo de esgotos doméstico e industrial que são jogados sem nenhum tratamento”, pontua, ressaltando a importância do Programa de Saneamento Ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Ipojuca (PSA Ipojuca), da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), para a recuperação da qualidade da água do rio. O investimento total é de R$ 990 milhões, com recursos financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

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Em Sanharó, um dos 25 municípios do Agreste pernambucano que integram a bacia desse rio, as obras do PSA Ipojuca estão em execução e consistirá na implantação de 13 quilômetros de rede coletora de esgoto e de 36 quilômetros de ramais prediais, além de quase quatro mil ligações intradomiciliares. O valor do investimento, só para Sanharó, é de R$ 25 milhões.

“A intenção dessa obra é, justamente, reverter a realidade atual, uma vez que muitas cidades ainda jogam seus esgotos in natura no rio. Com a obra, esse esgoto passará a ser tratado e devolvido limpo à bacia para que o rio volte a ser utilizado para atividades econômica, como irrigação. Uma cidade não tem qualidade de vida sem saneamento”, contextualiza o coordenador do PSA Ipojuca pela Compesa, Sérgio Murilo Guimarães.

Paralelamente, recebem a intervenção os municípios de Venturosa, Caruaru, Gravatá e Escada - com previsão de entrega para até dezembro deste ano, garante o gestor. Em Tacaimbó, a obra foi concluída há cerca de um ano.

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