RMR ganha leitos de UTI, mas casos graves de Covid-19 têm crescimento acelerado

Preocupação dos gestores é que o número de casos seja maior do que a oferta de leitos e, por isso, fazem apelo

Hospital Oswaldo Cruz, no RecifeHospital Oswaldo Cruz, no Recife - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A principal preocupação causada pela pandemia do novo coronavírus é a fácil contaminação, que causa um aumento acelerado de casos e é inversamente proporcional à lenta recuperação de pacientes com evolução grave, que chegam a passar até mais de dez dias em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A conta que analisa o aumento diário do número de pacientes com necessidade de internação e a oferta de leitos disponíveis não fecham.

Em mais um apelo público, nesta quarta-feira (15), durante coletiva de Imprensa, o secretario estadual de Saúde, André Longo, pediu que a população atente para a importância de guardar isolamento social nesse momento.

O Estado ganhou dez novos leitos de UTI nesta quarta, no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), referência para o acolhimento de pacientes com a Covid-19 - a unidade tinha 33 vagas de terapia intensiva. Segundo o Governo de Pernambuco, a expectativa é abrir mais dez leitos na próxima semana. Há ainda 133 enfermarias dedicadas ao enfrentamento do novo coronavírus na unidade.

Também nesta quarta, a Prefeitura do Recife colocou em operação 20 dos 100 leitos de UTI que funcionarão no hospital provisório Recife I, na rua da Aurora. Apesar das 30 novas aquisições na Região Metropolitana do Recife, juntando os esforços estadual e municipal, o alerta é máximo.

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"A gente ainda não está praticando o distanciamento ideal, que é de 70%. Estamos praticando um distanciamento moderado, de cerca de 50%. A curva epidêmica está acelerando em uma velocidade preocupante. Temos percebido que os casos graves têm mais que duplicado na última semana, diariamente. Isso pressiona por mais leitos de UTI. A gente precisa fazer o dever de casa para que a curva de casos não ultrapasse a abertura de leitos. Senão, é fato que em alguns dias poderemos atingir um nível de demanda que supere a capacidade. Isso é muito grave e exige um cuidado de todos nós para evitar o colapso do sistema de saúde”, explicou Longo.

Os comportamentos em bairros mais vulneráveis da Região Metropolitana do Recife (RMR) e nos municípios do Interior são os que geram maior preocupação. As pessoas têm circulado nas ruas e causado aglomerações em algumas áreas.

"Odeio ser profeta do apocalipse, mas a gente precisa ter consciência que serão dias difíceis. Serão ainda mais difíceis se a população não ajudar. A gente tem visto relaxamento no Interior. E o Interior inevitavelmente será atingido. Vai chegar. A gente apela para que as pessoas se conscientizem. A OMS (Organização Mundial da Saúde) já disse que esse vírus é dez vezes mais letal que a H1N1. Toda a humanidade está aprendendo com a crise. É preciso que a gente tenha a conscientização de todos. Não acreditem em fake news, que vai ter uma terapia mágica para isso, porque não vai ter”, enfatizou o secretário de Saúde do Estado.

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