Internacional

Rússia inclui opositor Navalny na lista de 'terroristas e extremistas'

A decisão se enquadra em um contexto de crescente repressão à oposição no país

Opositor do líder russo, Alexei NavalnyOpositor do líder russo, Alexei Navalny - Foto: Vasily MAXIMOV / AFP

A Rússia incluiu o principal opositor do governo, Alexei Navalny, na lista de "terroristas e extremistas", em mais um capítulo na repressão às vozes críticas ao poder do Kremlin

Navalny, que está preso há mais de um ano, e uma de suas principais colaboradoras que está no exílio, Liubov Sobol, foram incluídos na lista do Rosfinmonitoring, o serviço de vigilância financeira do país. 

De acordo com o Fundo de Luta contra a Corrupção, organização de Navalny, proibida desde junho pelas autoridades, pelo menos outras nove pessoas vinculadas ao movimento foram adicionadas à lista. 

A decisão se enquadra em um contexto de crescente repressão à oposição no país, tanto contra políticos como a meios de comunicação e personagens da sociedade civil críticos ao presidente Vladimir Putin

Em meados de janeiro, outros dois importantes colaboradores de Navalny, Ivan Khdanov e Leonid Volkov, também no exílio, já haviam sido incluídos na lista de 'terroristas e extremistas'.

"É genial que este tipo de personalidade se junte à nossa super equipe de 'terroristas'", ironizou no Twitter Jdanov, que dirige a organização de Navalny.

Sobol, de 34 anos, uma advogada próxima a Navalny que foi destaque no auge da oposição até sua saída ao exílio, também questionou a decisão.

"Participar das eleições e combater a corrupção? Extremista", escreveu em sua conta do Twitter. 

Neste catálogo há milhares de pessoas e organizações proibidas na Rússia, como por exemplo o grupo Estado Islâmico, ou os talibãs afegãos.

Peter Stano, porta-voz do chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, denunciou "a repressão contínua contra as vozes críticas na sociedade russa".

Em outro caso relacionado a Navalny, a administração penitenciária exigiu a prisão de seu irmão Oleg, acusando-o de ter violado as condições de uma pena suspensa por participar das manifestações para a liberdade do opositor russo.

Aumento da pressão 
Navalny foi detido em 17 de janeiro de 2021 ao desembarcar em Moscou. Ele passou meses em tratamento na Alemanha, após ser envenenado na Sibéria, um crime que o opositor atribui a Putin.

A Rússia não abriu uma investigação sobre a tentativa de homicídio e afirma que não há provas, uma vez que afirma que a Alemanha não compartilhou os exames médicos feitos em Navalny. 

Em seu retorno à Rússia, o opositor do Kremlin, de 45 anos, foi condenado a dois anos e meio de prisão por um caso de "fraude". Ele denuncia esta acusação como puramente política. 

Sua condenação provocou uma enxurrada de críticas internacionais e novas sanções ocidentais contra Moscou.

Instituições importantes, como o Parlamento Europeu, expressaram apoio a Nalvany, que recebeu em 2021 o prêmio Sakharov de defesa da liberdade de consciência. 

Apesar de estar na prisão, Navalny continua a convocar os russos para que permaneçam firmes. Ele declarou este mês que "não se arrepende nem por um segundo" por ter retornado ao país.

A detenção do opositor provocou vários protestos no ano passado, mas as manifestações foram reprimidas com violência. 

Em junho, seu movimento político foi proibido e acusado de "extremismo". O próprio Navalny é alvo de novos processos judiciais por acusações de "extremismo", o que pode resultar em sentenças de vários anos de prisão. 

A repressão aos partidários de Navalny foi seguida por uma campanha contra meios de comunicação críticos e ONGs, que foram designadas "agentes estrangeiros", uma denominação que afeta seu trabalho e as expõe a problemas legais.

Em dezembro, a emblemática ONG Memorial, que trabalha pela defesa dos direitos humanos e para preservar a memória sobre os gulag, foi proibida pela justiça e acusada de não ter cumprido as regras da controversa lei sobre "agentes estrangeiros".

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