Guerra

Rússia tentará recuperar restos do drone americano que caiu no Mar Negro

País é acusado de derrubar propositalmente o equipamento

 Governo dos Estados Unidos responsabilizou a Rússia pelo incidente e chamou de "temerária e pouco profissional" a ação dos aviões russos Governo dos Estados Unidos responsabilizou a Rússia pelo incidente e chamou de "temerária e pouco profissional" a ação dos aviões russos - Foto: Aris Messinis/AFP

A Rússia, acusada de derrubar um drone americano no Mar Negro, anunciou nesta quarta-feira (15) sua intenção de recuperar os destroços da aeronave que voava perto da Ucrânia, apesar do alerta de Washington contra qualquer tentativa de apreensão dos fragmentos.

"Não sei se conseguiremos recuperá-lo, mas temos que tentar e vamos trabalhar nisso", disse o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, em declarações à televisão.

O chefe do serviço de inteligência SVR da Rússia, Sergei Naryshkin, disse que o país tem capacidade "técnica" para recuperar o drone.

O porta-voz da Segurança Interna da Casa Branca, John Kirby, criticou a Rússia por se recusar a assumir a responsabilidade pelo acidente e disse que os Estados Unidos estão tentando recuperar os restos do drone.

"Obviamente, não queremos ver ninguém colocando as mãos nele além de nós", disse Kirby. "Tomamos medidas para proteger nossos interesses", acrescentou.

A Força Aérea dos Estados Unidos na Europa informou que dois caças russos Su-27 interceptaram um drone MQ-9 Reapers em águas internacionais na terça-feira e que as manobras de um dos aviões provocaram o acidente, com a "perda" do drone.

Voos "hostis"

O governo dos Estados Unidos responsabilizou a Rússia pelo incidente e chamou de "temerária e pouco profissional" a ação dos aviões russos, mas o Kremlin negou qualquer erro.

O embaixador da Rússia nos Estados Unidos, Anatoli Antonov, classificou os voos americanos perto da fronteira russa como "hostis".

"Nós presumimos que os Estados Unidos se abstenham de mais especulações na mídia e interrompam os voos perto das fronteiras russas", escreveu o embaixador Antonov em um comunicado divulgado no Telegram.

"Nós consideramos qualquer ação com o uso de armamento dos Estados Unidos como abertamente hostil", acrescentou.

A Ucrânia acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de querer "expandir" o conflito após o incidente.

"O incidente com o drone americano MQ-9 Reaper provocado pela Rússia no Mar Negro é um sinal de Putin de que está disposto a expandir a zona de conflito e envolver outras partes", afirmou no Twitter o secretário do Conselho de Segurança ucraniano, Oleksii Danilov.

O Kremlin alega que acidente aconteceu "na zona da península da Crimeia", território ucraniano anexado pela Rússia em 2014. De acordo com Moscou, o drone avançava "na direção" da fronteira russa.

Vários diplomatas da Otan confirmaram o incidente, mas destacaram que não esperam uma escalada do confronto.

Uma fonte militar ocidental, que falou com a AFP na condição de anonimato, afirmou que os canais diplomáticos entre Rússia e Estados Unidos podem ajudar a mitigar as consequências.

A ofensiva da Rússia na Ucrânia aumenta o temor de um confronto direto entre Moscou e Otan, organização cujos países membros fornecem armas a Kiev.

"Fora de controle"

As forças dos Estados Unidos utilizam o drone MQ-9 Reapers tanto para ações de vigilância como para ataques. O modelo opera há muito tempo no Mar Negro para examinar a presença das forças navais russas.

"Nosso drone MQ-9 realizava operações de rotina no espaço aéreo internacional, quando foi interceptado e atingido por um avião russo, o que resultou em um acidente e na perda total do MQ-9", informou o general James Hecker, comandante da Força Aérea dos Estados Unidos na Europa e na África.

O porta-voz do Pentágono, general Pat Ryder, declarou que após o incidente o drone não conseguiu voar e ficou fora de controle, o que motivou a decisão de derrubar o aparelho.

Os Reapers podem ser armados com mísseis Hellfire, assim como com bombas guiadas por laser, e podem voar mais de 1.770 quilômetros em altitudes de até 15.000 metros, de acordo com a Força Aérea americana.

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