Saiba quem é Monique Medeiros, julgada pela morte do filho Henry Borel
Nascida e criada em Bangu, era lotada na rede municipal de ensino até março. Foi acusada de homicídio triplamente qualificado na forma omissiva, tortura omissiva e coação de testemunha
Monique Medeiros da Costa e Silva é mãe do menino Henry Borel, morto em março de 2021, caso que a levou para a cadeia junto ao então namorado, o médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. Presa preventivamente durante as investigações, Monique chegou a cumprir prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica durante um período.
Em meados de 2023 voltou para a prisão numa decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Foi acusada de homicídio triplamente qualificado na forma omissiva, tortura omissiva e coação de testemunha.
Nascida e crescida em Bangu, na Zona Oeste do Rio, Monique se dividia entre apartamento dos pais — uma professora e um funcionário civil da Aeronáutica — e a casa da avó materna, no mesmo bairro. Os estudos na infância e na adolescência foram em colégios particulares da região. O início do curso de Letras (Português/Literatura) foi na UFRJ, após ser aprovada no vestibular, onde ficou por dois anos e meio.
Foi num jantar de aniversário de uma amiga que Monique conheceu o engenheiro Leniel Borel de Almeida, pai de Henry, numa pizzaria da Barra da Tijuca, também na Zona Oeste. Eles trocaram telefones, começaram a namorar e logo passaram a morar juntos, na cobertura dele, na Estrada do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes. Nessa época, ela passou a cursar uma faculdade particular em um shopping, com mensalidade paga por Leniel. Na instituição, ela concluiu a graduação.
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Em 2011, Monique foi aprovada em um concurso público da Secretaria municipal de Educação e passou a dar aulas para turmas de Ensino Infantil da Escola Ariena Vianna da Silva, em Senador Camará, onde, sete anos depois, ascendeu à diretora. Nessa ocasião, Henry, fruto da união com Leniel, tinha 2 anos. E o casamento, abalado pelo trabalho do engenheiro em uma multinacional, em que chegava a ficar três semanas embarcado, já dava sinais de desgaste.
Algum tempo depois, Leniel foi demitido, a situação financeira do casal apertou e Monique voltou para Bangu. No terreno de 360 metros quadrados da avó já falecida, herdado pela mãe, eles derrubaram uma árvore e construíram um espaço para viverem com Henry. O local, que tem um quintal grande com piscina e churrasqueira, era o preferido do menino. Além de jogar futebol, ele gostava de brincar com a cachorrinha da família, Olívia.
Com a recolocação profissional de Leniel, os três acabaram retornando ao Recreio, onde estavam no início da pandemia do coronavírus. O trabalho remoto permitiu a união da família, mas, segundo o engenheiro, o relacionamento não resistiu: “Acabou que passei a fazer 18, 20 reuniões por dia. Quase não nos falávamos, e eu só conseguia brincar com o Henry à noite, já cansado. Isso acabou por nos afastar ainda mais. A partir daquele momento, nossa relação desandou de vez e ela pediu a separação logo depois”, contou, em entrevista ao Globo.
Em depoimento prestado na 16ª DP (Barra da Tijuca), Monique contou ter conhecido o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho durante um almoço profissional no Village Mall, em agosto. Um mês depois, eles começaram a namorar e, em novembro, decidiriam morar com o menino num apartamento alugado no condomínio Majestic, no Cidade Jardim. Foi nessa época que a professora foi cedida ao Tribunal de Contas do Município e viu seu salário saltar de R$ 4 mil para R$ 16.500. A exoneração do tribunal aconteceu em abril de 2021, após a prisão dela e repercussão do caso. Ela então voltou para o município, onde era servidora de carreira.
No final de março deste ano, Monique Medeiros foi demitida do cargo de professora da Secretaria municipal de Educação do Rio, medida assinada pelo prefeito Eduardo Cavaliere. Desde a morte do filho, em 2021, ela vinha recebendo salários — em fevereiro deste ano o vencimento bruto era de R$ 5.036,74 mas, por estar presa, teve um desconto e recebeu a quantia líquida de R$ 2.887,73.
A manutenção dos salários, com o corte de um terço dos vencimentos seguia o que determina o artigo 114 do Estatuto do Servidor Público do Rio, para o caso de prisão e suspensão de servidor. O mesmo estatuto também prevê que caso o réu seja absolvido no final do processo, o prazo de afastamento é considerado de pleno exercício pelo principio da presunção de inocência.

