Saída da quarentena não seguirá mesma receita em todos os países, diz OMS

De acordo com o órgão, voltar à atividade econômica sem pôr em risco a vida das pessoas depende, portanto, da capacidade de acompanhar a evolução da doença

Surto coronavírus. Surto coronavírus.  - Foto: Divulgação/Josué Damacena (IO

A saída das quarentenas deve ser feita com planejamento e acompanhamento científico e não seguirá a mesma receita para todos os países, afirmou nesta segunda (6) Michael Ryan, diretor-executivo do programa de emergências sanitárias da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Ryan disse que as restrições à mobilidade têm sido efetivas para controlar a transmissão do coronavírus, mas cobram um preço alto da atividade econômica: "Principalmente em países em desenvolvimento, é preciso combater a pandemia com o mínimo de dano à economia, e para isso os governos terão que calibrar seus passos".

O diretor afirmou que o termo lockdown tem sido usado para medidas amplas e adotadas de forma desigual pelo mundo -suspensão de aulas, fechamento de lojas, paralisação de empresas, restrição a movimento-, e que o planejamento para a retomada depende não só do grau das restrições mas também da capacidade de testagem e de atendimento nos hospitais.

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"Se as medidas de restrições forem levantadas, é fundamental que haja ferramentas para segurar a transmissão", disse o diretor da OMS. Entre elas estão testes para detectar contaminados, isolamento dos doentes, monitoramento de quem tenha tido contato com pessoas infectadas e capacidade de manter distância entre as pessoas nas comunidades.

O sistema de saúde pública também precisa estar fortalecido, disse Ryan, pois um relaxamento de medidas pode provocar um repique de casos. Entre os parâmetros que é preciso analisar para calibrar o grau de restrições ou relaxamento está a ocupação dos leitos hospitalares. "É preciso haver um colchão de segurança. Se a ocupação estiver chegando perto da capacidade, isolamentos mais drásticos são necessários".

Outros dados necessários são o número de dias em que os casos dobram em cada localidade, a porcentagem de testes que dá resultado positivo e a taxa de transmissão (para quantas pessoas cada infectado transmite o vírus). Voltar à atividade econômica sem pôr em risco a vida das pessoas depende, portanto, da capacidade de acompanhar a evolução da doença.

"Não há números exatos que definam qual é o momento certo de abrir ou fechar. O que podemos dizer é que é preciso acompanhar o passo da pandemia. Relaxar, medir, esperar, analisar e dar um passo de cada vez", afirmou o diretor da OMS.

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