Saldo político da greve em 5 tópicos; Pedro Parente dificilmente fica

Temer pode até não querer demitir o presidente da empresa, Pedro Parente, mas dificilmente ele ficará no cargo

Inaldo SampaioInaldo Sampaio - Foto: colunista

Uma semana após o início da greve dos caminhoneiros, já se pode avaliar o saldo político dessa paralisação, que pegou o presidente da República e os 27 governadores de surpresa. Saldo um: pela primeira vez nos últimos 20 anos, os responsáveis pelo transporte rodoviário no Brasil fizeram valer a sua força.

Paralisaram um país com 210 milhões de habitantes para protestar contra a política de preços da Petrobrás. Saldo dois: o presidente Temer pode até não querer demitir o presidente da empresa, Pedro Parente, mas dificilmente ele ficará no cargo. Saldo três: Temer assinou decreto determinando às Forças Armadas a desobstrução das rodovias federais e isto não deve ser interpretado como “protagonismo” dos militares, e sim como uma tarefa como outra qualquer. Afinal, é melhor os militares nas ruas fazendo alguma coisa do que nos quarteis sem fazerem nada.

Saldo quatro: está definitivamente comprovado que não é a CUT, nem a Força Sindical e nem UGT que têm cacife para paralisar o Brasil, e sim os caminhoneiros. Saldo cinco: embora não estivesse na pauta deles, o ICMS tributado sobre os combustíveis surpreendeu o povo brasileiro. Em Pernambuco, por exemplo, por cada litro de gasolina que sai da bomba para o tanque do veículo, o consumidor paga 29% de imposto. É um percentual escandalosamente alto, sendo que no Rio de Janeiro é ainda maior: 32%.

Gabinete de crise
Nunca, antes, na história deste país, a expressão “gabinete de crise” esteve tão em evidência. O Governo do Estado e as prefeituras do Recife, Jaboatão, Olinda, Caruaru e Sertânia, dentre muitas outras, criaram “gabinete de crise” para acompanhar os desdobramentos da greve dos caminhoneiros. Ter “gabinete de crise” é algo obrigatório na estrutura das grandes empresas.

A troca > Aglailson Júnior (PSB), prefeito de Vitória, chegou a colocar o filho, Aglailson Victor, no PP, para disputar uma cadeira de deputado estadual. Mas aceitou deixá-lo no PSB, para dobrar com João Campos (PSB), se o Palácio lhe desse os prefeitos de Brejinho (Tânia Maria) e Itapetim (Adelmo Moura). Promessa feita, promessa cumprida.

Sob análise > O ex-governador João Lyra Neto e sua filha Raquel (PSDB), prefeita de Caruaru, ainda estão avaliando se lançam ou não um candidato a deputado federal ou estadual. A decisão só será anunciada após o anúncio da chapa majoritária das oposições no próximo dia 4/6.

Em pauta > Réu condenado em segunda instância pode disputar mandato nas próximas eleições? Essa tese estará em debate, amanhã, no plenário do TSE, que tem como um de seus ministros Napoleão Maia Filho, ex-integrantes do TRF da Quinta Região (Recife).

A recompensa > Deputados de grande fidelidade ao governo Paulo Câmara como Laura Gomes e Valdemar Borges, ambos do PSB, vão precisar de apoio do governo para garantir a reeleição. O governo já resolveu a eleição de João Campos (federal) e agora deve partir para os estaduais.

* Inaldo Sampaio é jornalista e escreve de segunda a sexta neste espaço.

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