São Paulo e Manaus recebem em 15 dias primeiros venezuelanos vindos de Roraima

Refugiados ingressam no Brasil pela fronteira com Roraima em busca de uma vida melhor

Temer diz que na Venezuela "não há condições de vida"Temer diz que na Venezuela "não há condições de vida" - Foto: Alan Santos / PR

Em cerca de 15 dias, as cidades de São Paulo e Manaus receberão os primeiros imigrantes venezuelanos, atualmente abrigados em Roraima. Neste primeiro momento, 350 pessoas serão encaminhadas para São Paulo e 180 para a capital do Amazonas. Os refugiados estão sendo vacinados contra sarampo e difteria, e é necessário aguardar cerca de duas semanas para que a imunização faça efeito.
A medida foi anunciada nesta quarta (21), após a primeira reunião do comitê de assistência emergencial criado pelo presidente Michel Temer para tratar da crise humanitária envolvendo os refugiados. A prefeitura de Boa Vista estima que cerca de 40 mil venezuelanos tenham entrado na cidade, a fim de fugir da crise econômica e política por que passa o país vizinho. O número corresponde a mais de 10% da população local, de cerca de 330 mil habitantes.

De acordo com a subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Natalia Marcassa de Souza, o comitê está trabalhando com a possibilidade de deslocar os venezuelanos para outros estados além do Amazonas e de São Paulo.“A gente está trabalhando com vários estados. Tentamos fazer de uma maneira assertiva. A gente combina onde já tem uma assistência inicial, de abrigo; e depois onde já tem vaga de trabalho para aquela pessoa. Então, demora um pouco para fazer isso. A gente está cruzando os dados”, afirmou ela.

Leia também:
Temer assina MP com ações emergenciais para venezuelanos em Roraima
Brasil e Colômbia discutem impactos da migração venezuelana nos dois países
Jungmann diz que atendimento humanitário a venezuelanos é questão nacional
Para os que continuam dormindo nas praças de Pacaraima, fronteira com a Venezuela, e Boa Vista, capital de Roraima, o governo anunciou a construção de centros de apoio e triagem. Cada um terá a capacidade de receber 1,5 mil pessoas. “Nós vamos construir um abrigo, onde faremos uma triagem. Um abrigo em Boa Vista e um em Pacaraima. Em Boa Vista, na praça Simon Bolívar, tem cerca de 1,5 mil pessoas. Queremos, de imediato, construir um abrigo para que se possa fazer a triagem e ver como encaminhar,  o que a gente vai fazer com eles”, disse o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.
Segundo Padilha, existem três perfis diferentes dentre aqueles vindos da Venezuela. O primeiro é daqueles que querem receber alimentos e benefícios, como Bolsa-Família – e o governo brasileiro incluirá essas pessoas no benefício – e fazer tratamento de saúde para voltar depois à Venezuela, cruzando a fronteira “duas, três vezes no mês”. Outro perfil é de pessoas, em sua maioria população indígena, que querem morar na região de fronteira, em Roraima. Ou seja, querem morar no Brasil, mas não querem se “interiorizar”.
Já o terceiro perfil é composto de pessoas que querem morar e trabalhar no Brasil. “Nós temos, entre solteiros e que vieram para trabalhar, em torno de 40% da população”, disse Padilha. Ele acrescentou que, em um primeiro momento, o governo federal investirá R$ 70 milhões no apoio aos venezuelanos. Esse dinheiro está sendo mandado para Roraima em forma de medicamentos e alimentação.

Veja também

Vantagem de Biden sobre Trump cai 2 pontos percentuais em uma semana
EUA

Vantagem de Biden sobre Trump cai 2 pontos percentuais em uma semana

Presidente parece torcer contra a vacina de Covid-19, diz Doria
Coronavírus

Presidente parece torcer contra a vacina de Covid-19, diz Doria