São Paulo tem 1.866 novos casos e 197 mortes por Covid-19 em 24 horas

Estado já soma 34.053 casos de Covid-19 confirmados laboratorialmente, com 2.851 vítimas fatais da doença

Exames para detecção de coronavírusExames para detecção de coronavírus - Foto: Governo de São Paulo

As taxas de isolamento social em São Paulo, que se mantiveram acima de 50% no final de semana, voltaram a cair para 47% e 48%, respectivamente, nesta segunda (4) e terça-feira (5).

O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, o infectologista David Uip, disse que o índice deve ser melhorado diariamente.

"Teremos enormes dificuldades em um mês se a taxa não aumentar. A população precisa estar convencida de que esta é a única forma de dar conta da assistência aos pacientes do estado de São Paulo e de municípios que fazem divisa com o estado", afirma.

Nesta terça, o estado confirmou 34.053 casos de Covid-19, com 2.851 mortes. Em 24 horas, houve 1.866 novos casos e 197 novos óbitos.

No dia anterior, São Paulo havia chegado a 32.187 casos e 2.654 mortes. De domingo (3) para o dia seguinte, os números de casos e mortes registrados em 24 horas foram menores – 415 e 27, respectivamente.

Com a abertura de novos leitos de UTI, a taxa de ocupação caiu 1,9% na Grande São Paulo e está mantida em 86,9%. No interior, a Secretaria da Saúde registrou alta de 1% em um dia, passando de 67,9% para 68,9%.

Carlos de Carvalho, diretor da divisão de pneumologia do Incor, responsável pelas UTIs do Hospital das Clínicas e integrante do comitê chefiado por Uip, diz que, por enquanto, há uma folga de 30% de leitos não ocupados no interior, o que não é realidade na capital paulista, que opera com taxa de ocupação entre 85% e 90%.

Segundo o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, há cerca de 1.800 leitos de UTI para serem abertos no estado, mas isso depende da chegada de respiradores, que deverá ocorrer a partir desta quinta (7).

Serão priorizados os hospitais da região metropolitana, a fim de baixar a taxa de ocupação com os leitos novos que passarão a integrar o sistema.

Até meio-dia desta terça, as UTIs estaduais estavam com 3.457 pacientes internados com suspeita ou confirmação de Covid-19, e outros 5.448 permaneciam nas enfermarias.

O Centro de Contingência de Coronavírus em São Paulo elaborou uma linha de cuidados ao paciente que apresente sintomas da Covid-19.

O paciente vai ao hospital, onde é submetido a exames clínicos e laboratoriais, como medida de oxigenação, e exame de imagem. Com os resultados, determina- se a gravidade. Se for um caso simples, a pessoa é orientada a retornar para casa e será monitorada. Se for mais grave, será registrado no sistema Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde), que determina o leito mais adequado conforme a gravidade do caso e disponibilidade de vagas. Pode ser uma UTI ou um leito mais isolado.

Aquele que recebe alta, é acompanhado ambulatorialmente durante um ano. "É para nós sabermos se a doença deixa sequelas no pulmão ou no organismo. Como a doença é nova, não sabemos", afirma Carvalho.

Quem vai a óbito, é submetido à necrópsia minimamente invasiva. "O corpo não é mais aberto. São feitas punções para a retirada de partes de tecidos mais importantes para entendermos a doença, uma vez que o vírus ficará circulando nos próximos anos", explica Carvalho.

Essas necrópsias minimamente invasivas estão oferecendo dados importantes sobre a Covid-19, segundo Uip. "É uma doença multivisceral, que começa pela insuficiência respiratória em paciente grave e pode atingir outros órgãos, como coração e rins. Há um acometimento da pele, do sistema de coagulação e do sistema nervoso central. Outro fato importante é que a infecção viral promove resposta inflamatória individual, podendo ser mais ou menos intensa. Há fenômenos tromboembólicos e, na sequência, a infecção bacteriana", explica.

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