Sargento reformado é condenado a 28 anos de prisão por matar adolescente no Ibura

Pena, que poderia ser de 24 a 60 anos, terá pedido de agravo por parte do Ministério Público, de acordo com o promotor Guilherme Castro

Parentes e amigos compareceram ao júri do policial reformado acusado de matar o jovem Mário Andrade de Lima, no IburaParentes e amigos compareceram ao júri do policial reformado acusado de matar o jovem Mário Andrade de Lima, no Ibura - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A Justiça condenou a 28 anos e seis meses de reclusão o sargento reformado da Polícia Militar Luiz Fernando Borges, de 52 anos, acusado de matar a tiros Mário Andrade de Lima, de 14 anos, e de atentar contra a vida de um segundo jovem, que conseguiu fugir do local do crime. A sentença foi divulgada na tarde desta terça-feira (6), após júri popular no Fórum Rodolfo Aureliano, na Ilha Joana Bezerra, região central do Recife.  

A pena, que poderia ser de 24 a 60 anos, terá pedido de agravo por parte do Ministério Público, de acordo com o promotor Guilherme Castro. Para a mãe de Mário, Joelma Lima, a sentença, mais que uma vitória, é um alívio. “Porque agora poderei descansar. Não comemorei o aniversário de meu filho. Nem nenhuma outra data. Só agora podemos descansar”, desabafou. Por já ter sido mantido em reclusão por pouco mais de dois anos enquanto aguardava julgamento, Alexandre terá a pena reduzida para 26 anos e dois meses.

Entenda o caso
O júri ocorreu após dois adiamentos. Mário foi assassinado em 25 de julho de 2016, quando andava de bicicleta com um amigo pelo bairro do Ibura, Zona Sul do Recife, e colidiram com a moto do então policial. Angustiada, a mãe do adolescente morto se disse apreensiva por ter de passar o dia olhando para o homem que tirou a vida de seu filho. Ela ainda classificou a falta do jovem em casa como uma ferida. “Está chegando final de ano, Natal. Mais um. Terceiro ano sem meu filho”, desabafou.

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“Por dois momentos, ele teve a oportunidade de não executar o garoto da maneira como ele executou”, pontuou o promotor de Justiça Guilherme Castro. “Não é excesso de pena, não é ter um Estado agressivo que vai destruir a pessoa que comete um crime, mas é aplicar a lei de acordo com o que ela está posta. E nesse caso aqui, a condenação, na visão do Ministério Público, ela é necessária para condenar esse tipo de atitude”, complementou o promotor.

A defesa do réu tentou sustentar a tese de legítima defesa putativa, que, segundo o advogado Maurício Gomes da Silva, é quando o indivíduo age imaginando uma situação real. “Ele imagina que naquela situação iria ocorrer um assalto e ele age conforme o direito e efetua disparos em sua defesa própria.”

Questionado sobre coronhadas dadas nos adolescentes e o fato de estarem deitados durante o ocorrido, o advogado respondeu que “essa informação foi toda criada e trazida ao inquérito policial pela própria Polícia". "Até por que as perícias tanatoscópicas e traumatológicas que foram feitas no cadáver não trazem informações concretas dessa informação, e o meu assistido nega essa informação", declarou.

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