Saúde investiga morte de pombos no Recife Antigo

Quantidade de aves mortas intriga pessoas no bairro. Especialista suspeita de doença neurológica. Carcaças serão recolhidas para análise

Animais parecem desorientados, balançam a cabeça, sentam, e voam sem senso de direçãoAnimais parecem desorientados, balançam a cabeça, sentam, e voam sem senso de direção - Foto: Rafael Furtado

Nos últimos dias, a quantidade de pombos mortos pelas ruas do Bairro do Recife, na região central da capital pernambucana, chama a atenção de quem passa pela área. Sem saber, muitos acreditam que as aves vêm sendo envenenadas devido à estranha mudança de comportamento. Os pombos, que costumam voar diante da presença humana e de veículos, não têm reagido a nada. Desorientados, balançam a cabeça, sentam e, quando andam, parecem drogados, voam sem senso de direção e caem sem forças para levantar. O mistério alertou a equipe de vigilância ambiental da Secretaria de Saúde do Recife, que recolherá as carcaças a fim de descobrir a real causa da mortandade em massa.

A Folha de Pernambuco flagrou, em pouco tempo, quase uma dezena de aves mortas. Outros que ainda estavam vivos assemelhavam-se a “zumbis”. “Quando ando, costumo ver pombos correndo e pulando pelo caminho. Mas, recentemente, eles estão tão quietos. E, não sei o porquê, mas eles saem comendo tudo, de forma desesperada. É de dar dó”, comentou um dos flanelinhas que trabalham na rua do Bom Jesus, Dimas da Silva, 60 anos. “Eles chegam a se coçar bastante antes de caírem duros pela rua. Aí, você fica sem saber se é veneno ou doença”, observou o eletricista Cosme José de Lima, 56, que trabalha em um dos prédios em restauração do bairro.

Ornitólogo e mestre em ecologia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Jonathas Lins de Souza suspeita que os pombos possam ter contraído uma doença neurológica. “O fato de estar balançando a cabeça e muito parados traz essa hipótese. Mas o que está realmente causando isso, só uma necropsia para revelar”, afirma o estudioso, alertando para a necessidade urgente de um controle populacional dessas aves. Segundo Souza, as carcaças expostas nas ruas representam um risco à saúde humana. “Só a presença deles em meio urbano é um problema à saúde pública. Pombo é vetor de várias doenças, entre elas, a toxoplasmose”, alerta. Os sintomas da doença em humanos são dor de cabeça e garganta, febre, manchas pelo corpo, convulsões, aumento do fígado e baço, entre outros.

A Secretaria de Saúde do Recife informou que “realiza o controle da condição ambiental favorável a inexistência dos pombos por meio de barreiras mecânicas, indisponibilidade de alimentação e eliminação dos ambientes favoráveis para desenvolvimento dos ninhos e de pouso”. Porém, na avaliação do ornitólogo, o certo seria a contratação de uma empresa de controle de pragas, uma vez que o pombo é considerado uma. “E um dos métodos dessas empresas é pegar essas aves por meio de armadilhas e eutanasiá-las”, pondera o estudioso. É importante ressaltar que o controle das aves não pode ser realizado pela população.

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