Saúde - vamos cuidar?

É tempo de fortalecer as defesas do organismo

Legumes e frutas na refeição diáriaLegumes e frutas na refeição diária - Foto: Leo Motta/Arquivo Folha

Quem diria, que, justamente na época em que se comemora o Dia Mundial da Saúde, as atividades reservadas a tão importante evento em 2020 ocorreriam na vigência da pandemia da COVID-19? Por isso mesmo a data ficou emblemática, em face desta revolução mundial que trouxe as doenças, mais uma vez, ao palco das grandes mazelas com as quais a Humanidade é levada a se defrontar...

Quando o tema é a preservação da saúde, é notória a sua relação com os bons hábitos de alimentação; mesmo quando não for possível prevenir as doenças (posto que a maioria delas tem multicausalidade), ainda assim o consumo de refeições equilibradas nutricionalmente contribuirá para o desejável controle, evitando consequências mais graves, como no caso das Doenças Crônicas Não Transmissíveis – diabetes, hipertensão arterial, obesidade, hiperlipidemias (elevadas taxas de gordura no sangue), etc.

A COVID-19 é uma doença infecciosa. Como tal, para ocorrer precisa da exposição a um vírus. É uma doença nova, tanto que “a sua história natural está sendo escrita nestes dias”, conforme o dizem os especialistas. Porém, é possível afirmar que, assim como nas demais infecções, sua incidência e evolução dependem substancialmente das condições prévias da saúde do hospedeiro, o ser humano. Dentre essas condições, o estado nutricional é fundamental na determinação da imunidade, ou seja, da capacidade que o organismo tem de se defender do ataque do agente causador, o vírus, por meio da produção de anticorpos.

Todo organismo vivo precisa de nutrição. Esta, do ponto de vista conceitual, não é sinônimo de alimentação, ao contrário do que muitos imaginam. Alimentar-se é ingerir alimentos, quaisquer. Nutrir-se é se beneficiar da funcionalidade de cada nutriente contido nos alimentos ingeridos. Proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, sais minerais, água, fibras e outros componentes bioativos presentes nos alimentos, uma vez absorvidos, desempenham inúmeras e complexas funções nas células.

O que a epidemiologia da COVID-19 tem evidenciado no Brasil, até o presente, é um acometimento significativo de pessoas com doenças prévias, a exemplo da hipertensão arterial, diabetes, doenças respiratórias, e até obesidade. Isto não surpreende, haja vista o reconhecimento do quanto essas outras patologias interferem no metabolismo, e vice-versa. Ora, as demandas metabólicas e nutricionais das doenças infecciosas em geral (como as demais gripes, as diarreias, o sarampo, a tuberculose pulmonar e a AIDS, entre outras) já são, per si, intensas. É plausível, pois, a assertiva de que a COVID-19 se instale com mais facilidade em organismos já comprometidos por ocorrências de outras doenças, como as citadas aqui.

Pelo exposto, é producente que se redobrem os cuidados no monitoramento da alimentação saudável para todos, e, em especial, para aqueles que são portadores de doença prévia, envolvendo significativas demandas metabólicas. Para os desejosos de perder peso, atenção: valem as mesmas recomendações. A alimentação adequada e saudável contempla variedade, ingestão calórica e de nutrientes compatível com as necessidades individuais, preferência por alimentos in natura e minimamente processados, moderação no consumo de sal, açúcar e gordura, e a exclusão de alimentos ultraprocessados.

Cuidemos, pois, da segurança alimentar, tanto quanto das demais recomendações das autoridades de saúde mundiais e nacionais!

*É nutricionista, atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal