SBI classifica uso da cloroquina para Covid-19 como ‘perigoso’ e critica aspecto político

Medicamento, que não possui eficácia comprovada contra o novo coronavírus, é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro

CloroquinaCloroquina - Foto: Secom/Governo do Amazonas

Em documento publicado nesta segunda-feira (18), a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) classifica o uso de cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19 como “perigoso” por ter tomado um “aspecto político inesperado”. Segundo o texto, assinado por 22 pesquisadores integrantes do Comitê Científico e da Diretoria, a escolha da droga como terapia para a doença “carece de evidência científica”.

O medicamento, que não possui eficácia comprovada contra o novo coronavírus, é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e outros líderes, como o venezuelano Nicolás Maduro. O mandatário brasileiro emitiu diversas declarações a favor da cloroquina em suas redes sociais e falas à imprensa.

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Para Bolsonaro, o uso da cloroquina “é direito do paciente”. Ele mudou o protocolo na última sexta-feira (15) e abriu o tratamento para casos leves da Covid-19, apesar dos riscos, após publicação de nota técnica do Conselho Federal de Medicina.

A SBI diz que a escolha da terapia com cloroquina ou até a conotação que a Covid-19 é uma doença de fácil tratamento, “vem na contramão de toda a experiência mundial e científica com esta pandemia”. “Nenhum cientista é contra qualquer tipo de tratamento, somos todos a favor de encontrar o melhor tratamento possível, mas sempre com bases em evidências científicas sólidas”, ressalta o texto.

Em relação à utilização da droga para tratamento da Covid-19, a SBI elencou um resumo das bases científicas disponíveis sobre a cloroquina. Um dos estudos citados no texto é de uma proposta terapêutica com 36 pacientes que mostrou uma diminuição da carga viral em pacientes tratados com a combinação de hidroxicloroquina e azitromicina. O resultado, no entanto, veio de uma amostragem reduzida e sem grupo de controle, o que não permite comprovar em definitivo a eficácia.

Um outro estudo com 1.376 pacientes hospitalizados, a “introdução do tratamento com hidroxicloroquina não foi associada com a diminuição ou aumento do risco de intubação ou óbito quando comparado com os pacientes que não receberam esse fármaco”.

Por fim, a SBI conclui que ainda é precoce recomendar o uso do medicamento para tratar a Covid-19 por não haver resultados práticos de benefícios para os pacientes. “Trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração. Desta forma, a SBI fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento”, conclui a Sociedade.

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