Secretário de Defesa Social diz que "não negocia no caos"

Angelo Gioia falou sobre a Operação Padrão feita pela PM e sobre a segurança em Pernambuco durante solenidade de entrega de 137 viaturas

Presidente da Alepe, deputado Eriberto Medeiros foi oconvidado do Folha Política desta sexta (05)Presidente da Alepe, deputado Eriberto Medeiros foi oconvidado do Folha Política desta sexta (05) - Foto: Julya Caminha / Folha de Pernambuco

Na solenidade de entrega de 137 viaturas novas para reposição da frota da Polícia Militar de Pernambuco, o secretário de Defesa Social, Angelo Gioia, falou sobre a Operação Padrão deflagrada pela categoria e sobre a criminalidade no Estado. O evento ocorreu nesta quarta-feira (21). Ele garantiu que, em nenhum momento, o comando da PM se negou a falar com as associações ou fechou as portas para negociações e salientou que "não negocia no caos por ter respeito ao povo pernambucano". Confira a entrevista.

Diante da operação-padrão, quem vai pilotar essas viaturas?

Os nossos comandantes estão, dentro de uma escala, disponibilizando mais efetivo. E eu confesso que acredito no compromisso da nossa tropa e não tenho razões para desconfiar que, em um curto espaço de tempo, teremos todo o nosso efetivo empregado no enfrentamento da criminalidade. Não tenho dúvida de que logo nós retomaremos de forma integral a nossa capacidade total de enfrentamento à criminalidade.

Que outras medidas estão pensando em implementar para dar uma resposta à sociedade sobre os contínuos assaltos a banco?

Respostas a ações de grupos organizados estão em curso. Daremos resposta no tempo que a investigação permite e com o emprego tático das forças de segurança. Certamente não é o tempo que nós gostaríamos. Ninguém dorme e acorda sossegado com notícia de explosão de banco, ou de caixa eletrônico ou de ações violentas. Essa situação não é confortável para ninguém. Nós continuamos trabalhando com responsabilidade, dando meios. E não tenho razões para acreditar que não teremos sucesso na atuação ao enfrentamento a esses grupos armados. Todo o trabalho da Polícia Militar e da Polícia Civil está sendo feito. Vamos continuar empenhados nisso. Porque é evidente que não é confortável, não é agradável, isso causa temor, preocupação à população e a cobrança é legítima. Vocês devem cobrar e é o nosso papel dar a solução.

Os números continuam aumentando. Esse problema está sendo enfrentado?

Nós pensamos sempre em curto prazo. A ação de grupos armados ocorre em quase todo o território nacional. A região Nordeste é muito afetada por isso. Nós dependemos de outras ações, inclusive iniciativa privada, de modo a dificultar a ação desses grupos armados. E nós trabalhamos como força policial dentro da estrita legalidade. Nós não podemos agir de forma irresponsável, como agem os criminosos. Nós estamos trabalhando e vamos vencer esse enfrentamento. Mas se hoje, se é amanhã, ou depois de amanhã, esse é um tempo que infelizmente não podemos ofertar. Estaria sendo leviano e irresponsável em afirmar um prazo. Estamos todos empregando esforço, inteligência e equipamento nessa batalha que com certeza vamos vencer.

As negociações vão ser diretamente com o comando ou, como o governador, você não vai participar das negociações?

Essa negociação nunca esteve fechada. Nós temos uma instituição com hierarquia e disciplina, o respeito ao princípio da autoridade e quem trás as demandas inclusive da tropa, do soldado, do cabo, do sargento e dos oficiais é quem comanda. Em nenhum momento o comando se negou a falar com as associações. Ao contrário disso, nós convidamos sempre.

Eu não negocio nada no ambiente de caos, porque nós policiais temos respeito ao povo de Pernambuco. Ninguém fechou porta para negociação. Agora a negociação é pelo único lugar possível, que passa pelo Comando da Polícia Militar e pelo Comando do Corpo de Bombeiros. Então, estamos sempre de portas abertas a ouvir.

Vamos construir uma proposta exequível, viável, com responsabilidade, passando pelos comandos. Outro detalhe: sem protagonismo. Não há protagonismo. Se isso existiu em algum momento, hoje não existe. A relação é de respeito institucional. Então repito a fala pública do governador.

O exercito continua na Região Metropolitana, mas haverá um esquema de força tarefa no interior? A população pode ficar tranquila?

O papel das Forças Armadas é um papel necessário, em um momento em que o governador se antecipa a uma possibilidade de dificuldade para dar segurança a Pernambuco. Eles continuam fazendo esse papel, com um efetivo menor. Mas o que me dá tranquilidade nesse cenário é ver a PM e a Polícia Civil trabalhando. É isso. Eles ainda não estão trabalhando com capacidade plena. Mas eu não tenho razões para desacreditar que num curto período de tempo isso será retomado. Nós vamos continuar trabalhando para isso. O canal para diálogo continua aberto – é preciso seguir o princípio da autoridade, da hierarquia e disciplina.

Você acha que o emprego das forças armadas foi a opção mais coerente nesse momento?

Nós não tínhamos, numa perspectiva de possível retração do efetivo, outro caminho responsável. Então solicitamos uma tropa de pronto-emprego, de emprego massivo para atuar com a polícia que não está em greve para continuar o trabalho. Não é uma situação que seja confortável para nenhum de nós. Como eu digo, o nosso compromisso primeiro é com a população. Imagine em outro cenário e se aguardássemos e se houvesse uma paralisação. É ilegal, inconstitucional, mas poderia acontecer. Como a população ficaria? Então o governador, com muita responsabilidade, se antecipa. Por que nós pedimos a renovação, qual a preocupação?

Nós estamos num processo de retração. Nós não podemos assistir a tropa do exercito voltar para os quarteis, sabendo que amanhã você poderia ter um acirramento. Então, são decisões difíceis, mas são necessárias, imprescindíveis em favor do povo de Pernambuco. Não é o cenário que nós gostaríamos. Queremos ver nosso efetivo policial trabalhando a pleno favor e as forças armadas dentro do quartel, cada um fazendo o seu trabalho. 

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