Covid-19

Secretário de Saúde de Pernambuco critica entraves diplomáticos que afetam vacinação no Brasil

André Longo mostrou preocupação com a falta de um cronograma por parte do governo federal

André Longo na Coletiva sobre a Covid-19 em PernambucoAndré Longo na Coletiva sobre a Covid-19 em Pernambuco - Foto: Hélia Scheppa/SEI

"Alguns entraves diplomáticos, causados por falas e posicionamentos carregados de negaciocismo, não podem colocar em xeque a vida, a saúde e a esperança dos brasileiros”, disse, nesta quarta-feira (20), o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo. 

A manifestação aconteceu após o gestor ser questionado sobre como Pernambuco está se mobilizando diante do cenário de incerteza em relação ao recebimento, por parte de Ministério da Saúde, de novas doses de vacina contra a Covid-19. 

Os ruídos no relacionamento do País em âmbito internacional estão gerando dificuldade tanto na compra de vacinas prontas quanto na aquisição de insumos para produção em solo nacional. 

Nesta semana, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butatan afirmaram estarem com dificuldades para se abastecer com os insumos necessários para a fabricação dos imunizantes desenvolvidos pelos laboratórios Oxford/AstraZeneca e Sinovac, com os quais firmaram parceira para produzir doses no Brasil. 

"Ora falta insumo para a produção, ora pro envazamento, para a rotulagem”, disse Longo. De acordo com ele, as doses enviadas para Pernambuco (270 mil) atendem apenas a 20% do primeiro grupo determinado para receber a vacina. 

“O planejamento do Programa Nacional de Imunização (PNI) previa nos fornecer doses para vacinar esse primeiro grupo, de 627 mil pessoas, nos primeiros 30 dias. Estamos preparados para receber as vacinas, mas há um ambiente de incerteza, dado o cenário internacional adverso.” 

A condução do Governo Federal nesse processo, incluindo ainda a turbulenta ida à Índia - ainda não ocorrida - para buscar doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, levou governadores de vários estados, incluindo o de Perambuco, Paulo Câmara, a protocolarem um ofício pedindo para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dialogar com países provedores de insumos, como China e Índia.

André Longo disse esperar que o Governo Federal possa viabilizar as vacinar para dar continuidade ao processo de imunização da população. Mas afirmou que o Estado está se movimentando junto ao Consórcio do Nordeste na intenção de adquirir outras vacinas já disponíveis, a exemplo da Sputnik V, desenvolvida na Rússia.   

“Inclusive, o governo da Bahia entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para que houvesse a aprovação do uso emergencial (na Anvisa). O Consórcio tem memorandos de entendimento para aquisição, caso o PNI não faça uso dessas vacinas, de algo em torno de 50 milhões de doses. Estamos acompanhando esse movimento”, afirmou. 

"Esperamos que o Ministério da Saúde possa exercer sua prioridade na aquisição de todas as vacinas seguras, eficazes e de qualidade, para que a gente tenha a continuidade da vacinação. A escassez de doses começa a gerar uma série de problemas no processo de execução, gerando um ambiente que não é o melhor para esse processo”, concluiu.

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