Sede do Samu em Olinda é interditada

Prédio está sem portão e armazena ambulâncias sucateadas, carros abandonados e macas quebradas

Ministro do STF, Dias ToffoliMinistro do STF, Dias Toffoli - Foto: JEFFERSON BERNARDES / AFP

Um cenário de insegurança e insalubridade. Esse é o retrato do Samu de Olinda, no bairro do Varadouro, que sofreu uma interdição ética do Cremepe e Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) na terça-feira (11). O prédio, de infraestrutura precária, está localizado à beira-mar e funciona bem ao lado de uma comunidade conhecida como “Inferninho”. Relatos dos profissionais apontam que o local vem sendo invadido constantemente por criminosos que buscam refúgio ou atendimento.

A base tornou-se espaço de vários episódios de violência, como na última semana, quando a população invadiu o prédio para linchar um homem que havia esfaqueado uma gestante e correu para o prédio na tentativa de se proteger. Diante da urgência do caso e mediante o risco de vida das equipes, o Samu foi transferido temporariamente para as dependências do Corpo de Bombeiros.

“Diante das graves ameaças que nossa equipe vem sofrendo durante os atendimentos às vítimas de violência da comunidade, acionamos as entidades médicas. Esses problemas não são de hoje. A entrada de acesso à base, por exemplo, está há cerca de um ano sem portão”, comentou o médico Jonny Diniz.
Outros profissionais relataram que se veem no meio de um fogo cruzado. “Além de a estrutura ser péssima, vivemos à mercê de ameaças. Se alguém é baleado ou leva uma facada, a comunidade invade e exige atendimento. Já tivemos que atender uma pessoa baleada com a arma apontada para a gente. Já foram cinco invasões”, disse o médico Humberto Caldas

“A gente trabalha com o coração na mão o tempo todo. Tem até médica afastada por ter desenvolvido crise de pânico. Semana passada, teve tiroteio. Na hora só pensei nos meus filhos”, desabafou a técnica de enfermagem, Paula Roberta Pereira. A base do Samu conta com quase 60 profissionais, entre eles nove médicos. Das seis viaturas que são lotadas lá, apenas duas estão funcionando.

O presidente do Simepe, Tadeu Calheiros, destacou que a interdição foi imediata porque a situação é muito precária. O procedimento não impede o funcionamento do serviço em outro lugar, por isso a decisão rápida foi à transferência. Calheiros destacou que caberá a prefeitura decidir pela mudança de endereço. “Se for ficar, tem que haver medidas estruturantes. Investir em segurança, montar um portão, fazer reparos no prédio e na iluminação. Hoje o local parece um ferro velho”.

Na fiscalização, o Simepe encontrou ambulâncias sucateadas, carros parados com água empoçada, falta de iluminação, portas quebradas, paredes com infiltrações e mofadas, buracos no teto, problemas dos banheiros e instalações elétricas cobertas com sacos plásticos. A Prefeitura de Olinda informou que aguarda o documento oficial da interdição ética. Contudo disse já ter iniciado obras de drenagem e pavimentação no estacionamento do Samu. A gestão negou problemas como infiltração no prédio e sucateamento de ambulâncias. Sobre o pátio com carros abandonados, justificou que serão leiloados.

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