Segundo dia do julgamento do caso Thiago Faria tem perícia como ponto alto

Para a acusação, a oitiva do perito irá mostrar os detalhes da prova técnica

Lucas Ramos:?“Seríamos contemplados com a indicação”Lucas Ramos:?“Seríamos contemplados com a indicação” - Foto: Henrique Genecy

No segundo dia de julgamento de três dos cinco acusados do assassinato do promotor Thiago Faria, duas importantes testemunhas de acusação foram intimadas para depor: Cláudia Tenório Freire de Melo, que é tia de Mysheva Martins e morou por um ano e 8 meses na Fazenda Nova - apontada como centro da disputa que motivou o crime -, e Carlos Eduardo Palhares Machado, perito criminal federal que, durante as investigações, fez um mapeamento com um scanner 3D e um drone da dinâmica do assassinato.

Outras cinco pessoas foram convocadas pela defesa para o segundo dia do júri: entre eles o inventariante da Fazenda Nova, Carlos Ubirajara, que cunhado de Zé Maria de Mané Pedo; Paulo Ferreira dos Santos e Audalio José dos Santos, que são irmão e pai de Adeildo Ferreira, respectivamente, e Maria Helena Moura.

São acusados José Maria Pedro Rosendo Barbosa e Adeildo Ferreira dos Santos e José Marisvaldo Vitor da Silva, conhecido como Passarinho. Um dos acusados, Antônio Cavalcante Filho, irmão de José Maria Cavalcante, está foragido da Justiça Federal. Também réu, José Maria Domingos Cavalcante teve o julgamento adiado - está preso no Cotel - e agora ele será julgado agora no dia 12 de dezembro.

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O julgamento começou às 10h desta terça-feira (25). Até às 16h11, cinco testemunhas já haviam sido ouvidas. Em depoimentos curtos, o irmão e o pai de Adeildo falaram basicamente sobre a personalidade do acusado. No inicio da oitiva da sexta testemunha ouvida no dia, Adeildo passou mal e teve que sair do plenário. Saiu chorando acompanhado de socorristas e do advogado. O julgamento chegou a ser interrompido ele dispensado ao menos do depoimento dessa testemunha. Segundo a juíza, com base na avaliação medica, ele está bem.

Ameaça
Convocada para dar detalhes sobre o inventário que traz como objeto a Fazenda Nova, Cláudia teve como ponto principal do depoimento o relato de uma ameaça que José Maria Pedro Rosendo, conhecido como Zé Maria de Mané Pedo, teria feito ao promotor, afirmando a um funcionário dele chamado Edinho que ia “estourar a cabeça” de Thiago.

Contradições
Inventariante da Fazenda Nova até hoje, Carlos Ubirajara, que é cunhado de José Maria de Mané Pedo, teve o testemunho contestado após o assistente de acusação, o advogado José Augusto Branco, encontrar contradições entre informações apresentadas por ele e os depoimentos de Mysheva Martins, noiva da vítima na época do crime, e do delegado federal Alexandre Alves, ouvidos no primeiro dia do júri. Por conta disso, a testemunha chegou a ser ameaçada de prisão.

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Acusação
Apesar de cansativa, essa fase do processo é importante para que os jurados conheçam os detalhes dos autos. "Como o crime foi motivado também pela disputa da Fazenda Nova, Cláudia tem valiosas informações sobre como esse inventário degradou ainda mais as relações entre as famílias de Mysheva e a de Zé Maria",  o procurador do Ministério Público Federal, Fabrício Carrer.

Em depoimento na última segunda-feira, Mysheva chegou a citar que o promotor Thiago Faria teria utilizado de sua influência para agilizar processos - e isso teria estabelecido Thiago como alvo, segundo a acusação. "No momento em que ele a ajudou, aquilo motivou Zé Maria a cometer o delito", aponta Carrer.

Para a acusação, a oitiva do perito federal Carlos Palhares é considerada o ponto alto do dia. "Para nós, o que mais interessa é a oitiva do perito porque ele vai trazer os detalhes da prova técnica, que demonstra a dinâmica do crime. Houve um estudo tridimensional do local do crime e da trajetória de todos os tiros, além da dinâmica da execução. Esse tipo de resultado do crime foi todo analisado", afirmou Canuto. "O alvo principal era Thiago e os secundários eram Mysheva e o tio dela, Adautivo Elias Martins. Ficou extremamente claro na perícia."

Defesa
O advogado e filho de Zé Maria, Leandro Ubirajara, voltou a apontar contradições no julgamento de Mysheva Martins. Desta vez, ele criticou ainda o depoimento do delegado federal Alexandre Alves. "O delegado também não conseguiu explicar, de forma técnica, a posição dos demais réus. Ele fala que a Polícia Federal trabalha com provas técnicas, mas não conseguiu colocar, tecnicamente, nem Adeildo, nem Cavalcante e nem Passarinho na cena do crime", indicou. "Mysheva falou inverdades em relação ao inventário e sobre o relacionamento que tinha no momento da emissão de posse. As contradições dela são em cima disso", acrescentou.

O advogado descartou os conflitos entre as famílias de Mysheva e de José Maria como fator de motivação para o crime. "Meu pai não gostava do pai dela, mas é uma coisa que já faz 30 anos e ninguém nunca fez nada com ninguém. Por que agora iria fazer?", disse. A rivalidade, segundo Ubirajara, teria sido por uma tentativa de homicídio do pai de Mysheva contra José Maria. "Na época, ele queria que meu pai casasse com a cunhada dele, se não me fala a memória."

Entenda o caso
O crime ocorreu no dia 14 de outubro de 2013 no interior de Pernambuco. Thiago Farias Soares estava com a noiva, a advogada Mysheva Martins, e do tio dela Adautivo Martins. Eles seguiam pela rodovia PE-300 a caminho de Itaíba, quando foram abordados por homens armados. Os tiros atingiram Thiago, que morreu na hora. O veículo deles parou. O carro dos assassinos contornou a via e, segundo as investigações, retornou para tentar assassinar tio e sobrinha, que escaparam com vida após se jogarem para fora do veículo, na estrada. A arma do crime nunca foi encontrada.

A motivação do crime foi a compra de 25 hectares de uma fazenda em Águas Belas. O imóvel, que possuía uma extensão total de 1.800 hectares, foi adquirido por Mysheva em um leilão - com isso, José Pedro teria sido obrigado a deixar o local.

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