Coronavírus

Sem leitos de UTI, Rondônia inicia transferência de 65 pacientes para PR e RS

'A solidariedade não tem distância nem fronteira', afirmou nesta segunda-feira o governador em exercício do Rio Grande do Sul, Ranolfo Vieira Júnior

Leitos de UTI do estado de Rondônia estão lotadosLeitos de UTI do estado de Rondônia estão lotados - Foto: Ascom/HCPA/Divulgação

Com o sistema de saúde pública colapsado e uma ocupação de 100% dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), o governo de Rondônia iniciou nesta segunda-feira (25) a transferência dos primeiros pacientes com Covid-19 para outros estados. Seis pacientes que estavam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da zona Sul foram transferidos para hospitais de Curitiba, no Paraná.

Ao todo, 65 pacientes com Covid-19 de Rondônia serão transferidos para estados do Sul do país, em uma operação intermediada pelo Ministério da Saúde e com o apoio das Forças Armadas. Nesta terça-feira (26) 50 pacientes deixam Porto Velho e seguem para o Rio Grande do Sul. Destes, 20 serão enviados para o Hospital Universitário de Canoas. Os outros 30 ficarão em Porto Alegre -10 no Grupo Hospitalar Conceição, 10 no Hospital de Clínicas e 10 no Hospital Vila Nova.

"A solidariedade não tem distância nem fronteira", afirmou nesta segunda-feira o governador em exercício do Rio Grande do Sul, Ranolfo Vieira Júnior (PTB). Além dos seis já transferidos nesta segunda, pelo menos outros nove pacientes devem ser transferidospara o Paraná, segundo o governo de Rondônia.


A prefeitura de Curitiba informou que preparou uma ala com 18 leitos de enfermaria no Hospital Vitória e outros 12 leitos na Santa Casa de Curitiba para pacientes que serão transferidos de Rondônia. Rondônia vive uma escalada de novos e de hospitalizações de pacientes com a Covid-19. Com cerca de 1,7 milhão de habitantes, o estado registrou cerca de 117,2 mil casos da Covid-19, com 2.111 mortes pela doença desde o início da epidemia.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a ocupação de leitos de UTI estava em 100% nesta segunda-feira. Os leitos clínicos, destinados a pacientes com menos gravidade, estavam com 71% de ocupação. Além do avanço de casos no próprio estado, Rondônia também teve o seu sistema de saúde pressionado por pacientes de outros estados, principalmente do Amazonas, que vive uma situação de colapso.

José Azevedo Melo, 58 anos, trabalha em uma balsa de cargas que faz transportes entre Porto Velho e Manaus. Ele mora na capital amazonense, e segundo o filho, Davi Nobre, contraiu a doença de um colega de trabalho há duas semanas.
Como sistema de saúde em colapso em Manaus, incluindo escassez de oxigênio em parte da rede hospitalar a família optou por trazê-lo para Porto Velho.

"Esse companheiro de trabalho de meu pai não sabia que tinha Covid, mas ele acabou passando para todos que estavam na embarcação. Eles ficaram com sintomas leves e só meu pai que está na UTI em estado gravíssimo. Ele é hipertenso e isso contribuiu ", disse Davi.

Os médicos que atendem José Azevedo em Porto Velho falaram para a família que não será possível transferi-lo para outro estado pelas condições do paciente. "Só um milagre para o meu pai se salvar", afirmou Davi. A escassez de leitos fez com que o governo do estado endurecesse as medidas restritivas para evitar a disseminação do novo coronavírus.

No último dia 17 de janeiro, o Governo de Rondônia baixou um decreto fechando todo o comércio não essencial, instituindo toque de recolher das 20h às 6h da manhã. Também foi proibida a venda de bebidas alcoólicas no estado das 18h às 6h da manhã.

Funcionária da Prefeitura de Porto Velho, Francineide Oliveira, perdeu dois irmãos, o pai e ficou internada por 17 dias com Covid-19, em um espaço de um pouco mais de um mês, em maio do ano passado. Ela afirma que o clima é de apreensão com a segunda onda de casos da Covid-19.

"Tenho muito medo de ter uma recaída. Normalmente, a segunda infecção é mais grave e sofrida que a primeira. Já fiquei com algumas sequelas, na respiração e nos nervos. Sem contar que a gente pode não conseguir ser atendido com os hospitais lotados", afirmou Francineide.

Segundo o governador Marcos Rocha (PSL), a falta de médicos é atualmente o principal entrave para abertura de novos leitos de UTI no estado.

O estado também enfrenta desabastecimento do banco de sangue do estado em razão da diminuição do fluxo dos doadores. Pelo menos três tipos de de sangue estão com estoque em nível baixíssimo. De acordo com informações do governo estadual, a entidade necessita neste momento de 100 doadores diários para que o estoque seja renovado. Por outro lado, ao contrário do vizinho Amazonas, Rondônia não enfrenta escassez nos estoque de oxigênio hospitalar.

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