Sem pagar fiança, mulher e filho de médico esquartejado em Aldeia são liberados

A decisão foi do juiz Otávio Pimentel Ribeiro, na manhã desta quinta-feira (5), em audiência de custódia no Fórum de Jaboatão dos Guararapes

O engenheiro civil Danilo Paes, 23, em audiência de custódia em Jaboatão dos GuararapesO engenheiro civil Danilo Paes, 23, em audiência de custódia em Jaboatão dos Guararapes - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Presos em flagrante pela ocultação do cadáver do cardiologista e advogado Denirson Paes da Silva, de 54 anos, a esposa e o filho do médico foram liberados pela Justiça do pagamento de fiança e aguardarão em liberdade a conclusão das investigações sobre o crime. A conversão da prisão em flagrante em liberdade provisória foi decidida pelo juiz Otávio Pimentel Ribeiro, em audiência de custódia realizada na manhã desta quinta-feira (5), no Fórum de Jaboatão dos Guararapes.

A farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes
, 54, e o filho, o engenheiro civil Danilo Paes, 23, não podem se ausentar da Região Metropolitana por mais de 15 dias, terão que entregar os seus passaportes e se apresentar mensalmente a autoridade judicial, mas foram isentados do pagamento da fiança de R$ 908 mil estipulada pela delegada Carmem Lúcia, que investiga o caso.

A legislação diz que, se o preso deixar de pagar a fiança por não ter condições financeiras para tanto, caberá ao juiz diminuir o valor da medida cautelar liberatória ou até dispensá-la nos termos do artigo 325, §1°, incisos I e II, do CPP.

Funcionária pública, Jussara é analista em saúde da Secretaria de Saúde de Pernambuco e tem um salário mensal de R$ 2.374,44, além de gratificação de desempenho de R$ 293,20, de acordo com informações levantadas no Portal da Transparência.

"Não importa o nível social, seja pobre ou seja rico. O que importa é a condição naquele momento. Neste momento ela não tinha condição de pagar nenhuma fiança. Por isso foi feita a aplicação das cautelares substituindo o pagamento da fiança", justificou o advogado Alexandre Oliveira.

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Após a realização do flagrante, na Delegacia de Camaragibe, mãe e filho passaram a noite no 6° Batalhão de Polícia de Prazeres. Eles dormiram separados e pediram cela especial por possuírem curso superior, mas a unidade não disponibilizava de espaço especial. Os dois chegaram por volta das 8h no Fórum de Jaboatão dos Guararapes. A decisão do juiz foi anunciada um pouco antes das 12h.

Os pedaços do corpo do médico foram encontrados na tarde da última quarta-feira (4) dentro do poço da casa em que morava com a família, no condomínio Torquato Castro, no quilômetro 13 da Estrada de Aldeia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife (RMR).

Foi necessário o auxílio do Corpo de Bombeiros para a retirada, já que o poço tem, em média, 25 metros de profundidade. Uma semana antes da localização do corpo, o cão do médico, que ele levava para passear diariamente, foi encontrado morto. A Polícia Civil de Pernambuco irá se pronunciar sobre o caso em coletiva de imprensa marcada para às 15h.

O outro filho do casal, de 20 anos, também esteve na Delegacia de Camaragibe, acompanhando a mãe e o irmão. Ele chegou a passar mal e ser socorrido em uma unidade de saúde. De acordo com a polícia, não há nenhum indício de que o filho mais novo do casal tenha envolvimento com o crime.

Investigações

O desaparecimento de Denirson Paes da Silva vinha sendo investigado há quase um mês. Em um Boletim de Ocorrência registrado no último dia 20 de junho sobre o desaparecimento do marido, a farmacêutica alegava que a vítima teria viajado para fora do País e que não teria retornado. A delegada Carmem Lúcia desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou a realização de um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam.

Para a polícia, há indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do cadáver do médico. As investigações continuam a fim de esclarecer a motivação e a conduta de cada um.

Vizinhos do médico afirmaram que dois funcionários dele prestaram depoimento. Um deles teria afirmado que a esposa da vítima o chamou dias atrás para fechar, com cimento, uma cacimba que já estaria fechada com uma tampa "bastante pesada para ser carregada por uma pessoa só". O homem teria notado um mau cheiro, mas a farmacêutica alegou que um gato tinha morrido dentro da cacimba.

O segundo funcionário contou à polícia que o médico, pouco antes de desaparecer, tinha explicado a ele que não precisaria mais de seus serviços porque estaria se separando e iria morar no Recife.

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