Família pernambucana está presa há 10 dias em nevasca na Argentina, sem previsão de saída
A região da Patagônia enfrenta nevascas severas que impossibilitam o translado de veículos de carga
O fim das férias da família de Nadja Alexandrino, de 49 anos, que trabalha com Apoio Técnico Administrativo, encontrou um entrave na fronteira entre a Argentina e o Chile: uma nevasca. A pernambucana, moradora de Olinda, está há 10 dias presa em uma fila de caminhões que não conseguiram transitar de um país para o outro por conta das condições climáticas.
A Patagônia enfrenta nevascas severas e históricas nos últimos dias, consideradas as mais intensas em 30 anos. Estimativas de transportadoras indicam que entre 2.500 e 3 mil caminhões aguardam a reabertura das rodovias.
Segundo Nadja, todas as pessoas que estão no bloqueio estão precisando de ajuda humanitária. Sem roupas específicas para o frio, com acesso restrito a alimentos e precisando até pagar para tomar banho, centenas de caminhoneiros aguardam pelo fim do bloqueio. O auxílio mandado pelo governo da Argentina não é suficiente, informou Nadja.
A viagem começou com a expectativa de passar um tempo em família durante as férias escolares da filha do casal, Sofia, uma criança de 11 anos. Emerson Gonçalves Bezerra, de 52 anos, esposo de Nadja, é motorista carreteiro e comumente faz viagens que cruzam as fronteiras do Brasil.
Com carga endereçada ao Chile, a família tinha planos de retornar ao Brasil após uma viagem tranquila e feliz. Contrariando os planos, a carreta ficou presa nas proximidades da província de Neuquém, que fica no oeste da Patagônia argentina.
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"A fila de carretas que está aqui está dando 132 quilômetros. Estamos já no finalzinho e não temos previsão de quando vamos conseguir cruzar para o Chile. Há muita neve lá. Esse clima não era esperado. Uma nevasca como essa não acontece há 16 anos", informou Nadja.
Diante das dificuldades, Nadja informou que tentou buscar auxílio por diferentes meios antes de chegar ao ponto de pedir ajuda através de pix. Ela chegou a enviar um e-mail ao presidente da Argentina solicitando atenção para a situação das pessoas retidas na região e pedindo medidas para facilitar a saída dos veículos.
A fila de caminhões e carretas é quilométrica - CortesiaA pernambucana também buscou ajuda por meio de contatos no Brasil. Segundo ela, pessoas que trabalham em ministérios ligados à Presidência da República fizeram contato e forneceram o número do Consulado brasileiro na região. Nadja afirma que procurou o órgão, mas a gestão recomendou que ela entrasse em contato com a polícia argentina para pedir orientações.
Em alguns momentos do dia, segundo Nadja, há distribuição de alimentos para as pessoas presas na fila de carretas, mas nem todo mundo consegue receber a ajuda por conta do tamanho da fila de caminhões. As outras opções comprometeram as finanças, dado o tempo de espera.
"Passa muita gente vendendo tortillas, pão, pizza, mas é tudo muito caro", relatou.
Segundo Nadja, policiais chegaram a aparecer na região após um roubo, mas não há atendimento permanente para os motoristas que permanecem retidos na estrada.
Para sua família, a situação fica mais complicada por conta do frio. Apesar de agasalhados, eles não foram preparados para um frio de -7° C, que é uma temperatura comum nos dias em que eles estão parados. As roupas e agasalhos não estão dando conta.
"Dormimos os três coladinhos, porque nos cobrimos com camadas de coberta. No caso, 4 camadas, para ninguém sentir mais frio do que o outro", contou.
Para conseguir o básico, eles precisam pagar.
"Depois de sete dias sem tomar banho, conseguimos pagando. Não dá para tomar banho todo dia", informou. As dificuldades com higiene continuam na hora de usar o banheiro. "Aqui são raros banheiros químicos, então temos que adaptar", explicou.
Com relação à decisão de pedir ajuda via doações, Nadja informou que essa é a única solução possível para a falta de previsão para a liberação da estrada.
"Esperar pelo governo não nos tem trazido boas expectativas", informou Nadja. "Como não existe nenhuma forma de ajudar enviando alimentos e nem agasalho, a melhor forma é através do pix para que possamos comprar aqui", relatou.
Como ajudar?
Nadja Alexandrino de Medeiros Gonçalves
Pix: [email protected]

