Sem vacina, 'imunidade de rebanho' não é melhor estratégia, diz secretário do Ministério da Saúde

Nos últimos meses, o discurso de que 70% dos brasileiros devem pegar a Covid tem sido repetido pelo presidente Jair Bolsonaro

Bairro de Afogados, no Recife, com aglomerado de pessoas nas ruas, neste domingo (17)Bairro de Afogados, no Recife, com aglomerado de pessoas nas ruas, neste domingo (17) - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

O secretário substituto de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, disse nesta terça-feira (26) que a defesa de que o país deve chegar naturalmente a uma "imunidade de rebanho", com alto número de pessoas infectadas, como uma forma de frear a Covid-19, "não é a melhor estratégia".

O termo imunidade de rebanho costuma ser usado para expressar um cenário no qual a porcentagem de pessoas que já foram infectadas e se curaram seria elevada o suficiente para que essas pessoas sirvam de "escudo" das que ainda não tiveram a doença.

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Nos últimos meses, o discurso de que 70% dos brasileiros devem pegar a Covid tem sido repetido pelo presidente Jair Bolsonaro como forma de contrapor medidas como o isolamento. Especialistas, porém, apontam que a população está longe de um patamar que seria necessário para essa imunidade –a qual também é alvo de controvérsia.

"Questões que têm sido colocadas, de que é importante que o Brasil adquira imunidade de rebanho de 70% de pessoas infectadas para que a gente tenha diminuição no número de casos, [diminuição] efetiva, considero que essa não é a melhor estratégia se você não tem uma vacina", afirmou Macário.

"Se você tem uma vacina disponível, isso sim é o ideal, ter 70%, 80%, para que com isso essa população vacinada consiga de fato proteger a população não vacinada", disse.

Ele ressaltou que, embora ainda não haja uma vacina disponível contra o novo coronavírus, pesquisas atuais apontam que essa possibilidade poderá ocorrer em médio prazo.

Segundo o secretário, o SUS está preparado para organizar uma estratégia quando a vacina estiver disponível. Ele defendeu medidas de prevenção e distanciamento.
Resultado do estudos têm mostrado que o país ainda estaria longe de uma imunidade coletiva.

Dados de etapa inicial do estudo Epicovid-19, primeira pesquisa nacional sobre a doença, apontam que o número de infectados pelo novo coronavírus deve ser cerca de sete vezes aquele registrado nas estatísticas oficiais. Por outro lado, o mesmo estudo mostra que a taxa de infecção ainda é baixa.

Em 90 cidades, 760 mil pessoas foram contaminadas, ou seja, têm anticorpos para a doença –número equivalente a cerca de 1,4% da população somada desses municípios. Nessas cidades mora mais de 25% da população brasileira.

Na cidade de São Paulo, aproximadamente 3,1% da população já teria sido infectada e teria anticorpos na data da pesquisa –trata-se de um retrato da quantidade de infecções ocorrido no início do mês, portanto. No Rio de Janeiro, a taxa é de 2,2%. Questionado sobre a pesquisa, Macário disse que a pasta ainda aguarda para receber os resultados.

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