Seminário aborda vida e superação após o câncer de mama no Recife
Encontro promovido pelo Instituto À Flor da Pele ocorre durante esta quinta-feira (11), no Centro da cidade
A sétima edição do seminário "Celebrar a Vida" reúne pacientes e especialistas para tratar de um assunto delicado e que é motivo de superação pessoal: o câncer de mama.
A programação repleta de palestras, rodas de conversa e trocas de experiências começou por volta das 8h desta quinta-feira (11) e segue até às 15h, no Círculo Militar do Recife, na área central da cidade.
Ao longo do dia, mulheres que passaram ou ainda passam pelo câncer de mama compartilham a vivência no tocante à autoestima, ao retorno ao trabalho e ao ressignificar da vida. O evento é promovido pelo Instituto À Flor da Pele, em parceria com a Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Pernambuco.
Nos primeiros minutos do evento, o Coral Unimed Recife animou o público, cantando diversas músicas, com repertório exclusivamente dedicado ao período junino. Tanto a Unimed Recife quanto o Instituto Unimed Recife patrocinam o encontro.
Coral da Unimed Recife se apresentou no seminário | Foto: Matheus Ribeiro/Folha de PernambucoAuxílio a pacientes do SUS
O Instituto À Flor da Pele tem três anos de formatação, mas os trabalhos começaram em 2019. A entidade é formada por cerca de 20 médicos, entre cirurgiões e anestesistas, dez instrumentadores e dez enfermeiras.
Junta, a equipe realiza mutirões de reconstrução mamária em mulheres brasileiras que não têm condições de pagar o procedimento. No Brasil, apenas 20% das pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) têm acesso à essa reconstrução.
Médico mastologista e fundador do instituto, o mineiro Kleber Sérgio da Silva acredita que os custos altos e o precário acesso a profissionais formados para a cirurgia são impeditivos para essas pacientes. Os especialistas que formam a organização viajam o Brasil inteiro, reúnem as mulheres mastectomizadas e fazem voluntariamente a reconstrução mamária nelas.
“A gente entende que a reconstrução mamária não é algo apenas estético, mas parte do tratamento, porque, muitas vezes, a mulher se cura do câncer que está no corpo, mas da alma continua, assim como a dificuldade da autoimagem e de se ver perante o espelho. Hoje, a cada 30 minutos, uma mulher perde a mama. É assustador o número de mastectomias que são feitas. A gente envolve o terceiro setor e a sociedade, de maneira geral, para patrocinar de alguma forma e contribuir com os recursos que a gente necessita para fazer esse projeto”, aponta.
Kleber Sérgio da Silva é o fundador do instituto | Foto: Matheus Ribeiro/Folha de PernambucoCirurgias no Recife
Dando continuidade à edição, cerca de 16 mulheres vão passar pela implantação das próteses mamárias no Recife na sexta-feira (12) e no sábado (13). As cirurgias acontecem no Hospital Max Day, na Zona Sul da capital.
Quem vai receber uma dessas próteses é a dona de casa Maria Ramos, de 45 anos. Ela descobriu a doença em julho de 2024. Maria vive do artesanato, em São José do Egito, no Sertão de Pernambuco, e, além de não possuir histórico familiar, relembra que o susto foi grande.
Maria Ramos contou como tratou a vida durante o tratamento da doença | Foto: Matheus Ribeiro/Folha de PernambucoAntes do diagnóstico na mama esquerda, levava uma vida saudável com prática de exercícios físicos e alimentação balanceada. Hoje, mais tranquila e com um largo sorriso no rosto, diz que resolveu enfrentar a doença da melhor forma possível.
“Eu disse que iria fazer tudo que estivesse ao meu alcance para me ajudar e ajudar aos médicos. O câncer engloba muita coisa. Então, a maneira que você vai encarar vai determinar o resultado do tratamento, porque exercer a fé em Deus e na vida e fazer tudo que está ao alcance ajuda muito, mas é muito difícil mesmo. Quando eu percebi uma diferença na minha mama, procurei fazer exames, mas nada foi diagnosticado. Quando descobriram, a mama já estava toda tomada. Por isso eu tive que passar por mastectomia radical. Eu fiz o meu melhor”, diz.
“Quando ia à quimioterapia, colocava a melhor roupa e ia. Para mim era um evento, porque eu ia receber a minha cura. É um momento muito difícil, porque a gente fica careca, perde cílios, sobrancelha e a identidade. Nesse momento temos que olhar com autoestima, amor, acolhimento e os apoios da família e amigos também são importantes”, ressalta ela.
Nancy Ferreira, presidente da SBM-PE, falou sobre a força das pacientes | Foto: Matheus Ribeiro/Folha de PernambucoPós-diagnóstico em pauta
A médica Nancy Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Pernambuco (SBM-PE), ressalta a força das pacientes presentes para lutar e vencer os desafios contra a doença. Ela é mestre em biologia molecular pelo Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami da Universidade Federal de Pernambuco (Lika/UFPE) e médica mastologista do Hospital Barão de Lucena. Ferreira concorda que as reações ao diagnóstico são individuais e que também há a necessidade de preocupação por parte dos especialistas com o pós-diagnóstico.
“É um mundo novo até para nós, médicos. Ninguém sabe como agir ao receber um diagnóstico desse. Nós apenas sabemos como dar essa notícia e dizer como [o câncer] tem que ser tratado. Essas mulheres enfrentam, inclusive, o que há da vida após o câncer, que são os problemas ginecológicos, emocionais, relacionamentos amorosos que se quebram, ou não, bem como os apoios. É a trajetória pós-câncer. É isso que vai ser muito falado aqui também. Aqui eu falei sobre a reconstrução das almas, o quanto que o médico tem que entender qual é o mundo de quem recebe o câncer. Não é preciso ter para entender. Isso a gente constrói ao longo da vida”, frisa.
Programação
* 9h30 – Autoestima e superação: quem eu me tornei depois do câncer?
* Palestrante: Gisele Gengo
* 10h30 – Como cuidar de mim depois do câncer?
* Palestrante: Fabiana Makdissi
* 11h – Vida é movimento
* Palestrante: Alice Francisco
* 13h – Conversas sobre a vida – Cuidados pós-câncer
* 14h – Conversas sobre a vida – Recomeços
* 15h30 – Uma conversa sobre presença, significados e recomeços
* Palestrante: Maria Paula Bandeira
“A Unimed é sempre uma parceira forte. Tudo que a gente pode apoiar, estamos sempre juntos, participamos ativamente, seja trazendo pessoas, colaborando com incentivo econômico ou com nosso coral. A gente enxerga que esse movimento é um projeto belíssimo, que faz ressignificar a vida de várias mulheres. A gente que vive na saúde sabe o quanto que isso é doloroso, difícil e o quanto que as mulheres sentem. Sempre tentamos estar próximos e apoiar da forma mais bela”, comenta o vice-presidente da Unimed Recife, Henrique Guido.
Henrique Guido, vice-presidente da Unimed Recife, destacou as qualidades do projeto | Foto: Matheus Ribeiro/Folha de PernambucoCaminhada em prol da saúde
Já no domingo (14), uma caminhada será realizada, a partir das 6h30, saindo da Torre 4 do RioMar Recife com destino ao retorno da Via Mangue.






