Seminarista de mosteiro de Pernambuco é investigado por discutir invasão a Brasília nas eleições
Religioso, cujo o nome não foi divulgado, participava ativamente de discussões sobre possíveis atos de invasão contra edificações em Brasília, nas eleições deste ano
Um seminarista vinculado a um mosteiro em Pernambuco foi um dos alvos da Operação "Rede Interrompida", contra um grupo que discutia ações violentas à Brasília durante o período das eleições deste ano.
A operação, realizada nessa terça-feira (4) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, mirou oito investigados com idades entre 19 e 31 anos.
Segundo a PCDF, em informação confirmada à Folha de Pernambuco, o religioso, cujo o nome não foi divulgado, participava ativamente de discussões sobre possíveis atos de invasão contra edificações em Brasília, nas eleições.
Além de Pernambuco, a ação cumpriu mandados em São Paulo, no Paraná, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A Polícia Civil de Pernambuco informou ter prestado apoio à corporação do DF no cumprimento da ordem judicial no estado.
As investigações da operação analisaram comunicações feitas entre membros do grupo, que faziam referências a Brasília como destino de uma mobilização prevista para o período eleitoral.
Segundo a PCDF, os alvos discutiam sobre invasão de edificações, seleção de alvos, formação tática, recrutamento interestadual, análise de mapas e compartilhamento de plantas arquitetônicas, incluindo modelos tridimensionais de prédios situados na região central de Brasília. O grupo também compartilhava manuais para fabricação de artefatos explosivos.
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De acordo com o delegado-geral da PCDF, José Werick, as investigações começaram a partir de um relatório técnico produzido pelo Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria Nacional do Ministério da Justiça, que apresentou informações de grupos extremistas que atuavam principalmente por meio de plataforma digital de mensagens.
"Cabe destacar que essa foi uma atuação preventiva, visando evitar a progressão e ou escalada de ações extremamente violentas. Todos os alvos identificados possuem contra si elementos indiciários de associação, recrutamento, disseminação e deliberação de estratégicas violentas", ressaltou o delegado.
A investigação apura os crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime e delitos previstos na legislação antirracismo. A corporação destaca que, até o momento, não há enquadramento dos fatos na Lei de Terrorismo.
"As medidas cautelares têm como finalidade preservar provas digitais e materiais, apreender dispositivos eletrônicos, identificar possíveis conexões ainda desconhecidas e esclarecer o grau de organização e o estágio de desenvolvimento das ações discutidas", destacou a Polícia Civil do Distrito Federal, em nota oficial.
Questionada sobre em qual cidade o mandado foi cumprido em Pernambuco, a PCDF afirmou que a "investigação corre em sigilo".

