Ter, 14 de Abril

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EUA

Senado confirma indicado de Trump para o FBI, Kash Patel

Confirmação ocorre enquanto profunda ansiedade se espalha pela agência

Kash PatelKash Patel - Foto: Mandel Ngan/AFP

O Senado americano confirmou nesta quinta-feira o nome de Kash Patel, indicado do presidente Donald Trump para chefiar o Departamento Federal de Investigação (FBI). Além das preocupações sobre sua relativa falta de experiência e uma lealdade inabalável ao presidente — o que poderia significar uma ameaça à independência do departamento —, Patel também é um dos acionistas da Elite Depot, empresa que controla a gigante varejista chinesa de fast-fashion Shein, indicando um conflito de interesses.

Com a empresa se preparando para abrir seu capital neste ano, o lucro de Patel está avaliado em ao menos US$ 1 milhão, que ele teria ganhado após trabalhar como consultor para a empresa por nove meses em 2024, segundo a Associated Press.

De acordo com o Wall Street Journal, Patel já havia concordado em vender todas as ações que possui em empresas públicas como a Meta e a Apple com a confirmação do Senado. Porém, as ações na Elite Depot seriam mantidas, com a permissão do FBI, afirmando que suas funções provavelmente não envolverão a empresa.

De acordo com especialistas consultados pelo jornal, as ações serão adquiridas — ou se tornarão suas para negociação — ao longo deste ano, o que significa que Patel manterá um relacionamento financeiro contínuo com uma empresa chinesa.

— Ele deveria se desfazer de todos os seus interesses se for se tornar diretor do FBI — disse ao WSJ Charles Kupperman, que atuou como vice-conselheiro de segurança nacional e trabalhou em estreita colaboração com Patel durante o primeiro mandato de Trump. — Esta não é uma empresa dos EUA e é um conflito de interesses financeiro.

Segundo Kupperman, como diretor da agência, Patel teria acesso a informações não públicas que afetariam sua disposição de negociar as ações depois que elas fossem adquiridas.

Por sua vez, um porta-voz de Patel afirmou ao WSJ que ele revelou todas as suas fontes de renda e cooperou com o Senado para avaliar sua nomeação, que incluiu uma revisão de "quaisquer conflitos de interesse".

Nome sob suspeita
Patel foi aprovado pelo Comitê Judiciário do Senado na semana passada por uma votação partidária de 12 a 10.

Os democratas no Senado, por sua vez, esperavam retardar a nomeação de Patel, mas tiveram pouco sucesso em convencer seus colegas, que estão receosos de provocar a ira política de Trump ou de seus poderosos representantes.

Neste mês, o principal democrata na Comissão Judiciária acusou Patel de comandar indevidamente uma série de saídas forçadas do departamento sem ter sido confirmado como seu líder. As divulgações financeiras de Patel também levantaram suspeitas, mas nenhuma dessas preocupações mudou substancialmente seu apoio entre os republicanos.

Uma preocupação especial para os críticos tem sido sua promessa frequentemente declarada de implementar uma campanha de vingança em nome de Trump, bem como sua promessa de reformular radicalmente a agência.

Na sua audiência de confirmação no mês passado, senadores democratas o pressionaram sobre comentários incendiários que ele havia dirigido ao FBI, incluindo uma suposta lista de inimigos publicada no final de seu livro, "Government gangsters" ("Gangsters do governo"). Patel contesta essa descrição, chamando-a de "uma interpretação totalmente errônea".

A confirmação de Patel ocorre enquanto uma profunda ansiedade se espalha pelo FBI, com o governo Trump se movendo rapidamente para impor sua vontade à agência. Desde que Trump assumiu a Presidência para um segundo mandato, seus indicados forçaram a saída de vários executivos do FBI e exigiram uma lista de funcionários que trabalharam nas investigações sobre o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio.

Patel supervisionará uma agência de cerca de 38 mil funcionários com um orçamento fiscal proposto para 2025 de mais de US$ 11,3 bilhões. Ao liderar a agência, ele coordenará uma vasta operação global responsável por proteger contra o terrorismo, bem como frustrar ameaças da China, Irã e Rússia.

Ex-advogado de defesa na divisão de segurança nacional do Departamento de Justiça, Patel trabalhou como investigador do Congresso e depois passou por vários empregos na área de segurança nacional em rápida sucessão no primeiro governo Trump, inclusive atuando como diretor sênior de contraterrorismo no Conselho de Segurança Nacional.

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