Será o fim da era das senhas numéricas?

Controle de acessos deve substituir senhas numéricas pela biometria

Beatles na FavelaBeatles na Favela - Foto: Divulgação

Para acessar o e-mail, a conta do banco e a rede social. Para registrar o horário de trabalho, entrar numa sala, ou mesmo desbloquear o smartphone. As senhas estão presentes em diversas áreas da nossa vida. O problema é decorar todas elas. Essa preocupação, no entanto, parece estar com os dias contados. Pesquisa realizada pela TeleSign aponta a previsão de que as senhas numéricas estarão obsoletas em 2025. Será?

Para o executivo-chefe de TI do Cesar, Carlos Sampaio, não é bem assim. Segundo ele, o que deve ocorrer é uma "substituição de prioridades", com a senha perdendo uso para, mais provavelmente, a biometria. A senha numérica é apenas um item dos processos de controle de acesso, explica. "O controle de acesso é geralmente baseado em três métodos: o que você sabe - a senha - , quem você é - biometria - e o que você tem - um token, por exemplo".

"Os bancos, por exemplo, usam dois métodos: a senha e o token. Alguns também usam a biometria", cita Sampaio. Quanto mais métodos de autenticação forem utilizados, mais forte é o controle.

Para o executivo, a senha deve ser substituída no dia a dia - mas não deixada de lado - pela biometria porque os equipamentos tecnológicos estão evoluídos e oferecem essa possibilidade. Exemplos são smartphones lançados recentemente que já vêm com leitor de digital - além de notebooks já adotarem a tecnologia. Lembrando que a biometria não se resume à impressão digital: a leitura da palma da mão e da íris ocular também são possibilidades que já começam a chegar no mercado - o Samsung Galaxy Note7, lançado na semana passada, escaneia o olho do usuário para desbloquear a tela.

O consultor de tendências do Porto Digital, Jacques Barcia, lembra outra vantagem da biometria sobre a senha: a comodidade. "O ideal é que toda a interação humana com máquinas seja natural. Senha não é natural. O certo é que a máquina reconheça você enquanto indivíduo, não te confunda", explica. Ele cita que, no futuro, com a disseminação da Internet das Coisas, todos estaremos conectados com tudo. "Com 'milhões' de coisas conectadas à internet, vai ficar cada vez mais difícil lembrar todas as senhas. Ao mesmo tempo, se você usar a mesma para tudo, fica muito exposto", pontua.

Ferramentas diminuem fraudes

A autenticação biométrica traz benefícios não só para indivíduos, mas também para empresas. "Além da conveniência de as pessoas se sentirem desobrigadas de memorizar tantas combinações de números e letras, o ganho de segurança é sem dúvida muito grande - tanto para o usuário como para os bancos, por exemplo, que, ao adotar a identificação biométrica dos correntistas, têm evitado inúmeras fraudes", afirma o vice-presidente comercial da HID Biometrics, Kerry Reid.

Segundo Reid, hoje, 75% das empresas ainda usam a autenticação usuário/senha como forma de identificação, mas quase todas também utilizam ferramentas adicionais de segurança. "Além de ser inconveniente para o usuário, as senhas são alvos fáceis de atos fraudulentos, já que pessoas de má fé podem copiar, roubar ou ainda forçar o usuário a revelar a combinação de números e letras", lembra.

Carlos Sampaio ressalta que a biometria também tende a ser mais utilizada do que a senha porque as pessoas costumam usar códigos fáceis de serem decifrados. "É muito comum que se use como senha números relativos à sua vida, como a data do aniversário sua ou de um parente, a placa do carro, etc. Isso deixa o controle de acesso vulnerável", pondera. "Hoje, já é possível replicar a digital por meio de impressão 3D e outros recursos, daí a necessidade de outras formas de autenticação", lembra Jacques Barcia. A biometria, no entanto, deve ser feita com a tecnologia adequada, para que tenha bons resultados. "Um leitor de impressão digital de alta qualidade, como o que utiliza a tecnologia de imagem multiespectral, é capaz de enfrentar as tentativas de fraude que também vêm sendo aperfeiçoadas. Essa tecnologia registra não somente a impressão digital externa da pessoa, mas de uma subcamada da pele também", cita Reid, afirmando que, dessa forma, é possível minimizar as chances de golpes.

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