Setor funerário tenta suprir demanda gerada por Covid-19

Cemitérios e casas funerárias se reestruturam para os mortos em decorrência da doenção

No Parque das Flores, capacidade foi ampliada para até 500 sepultamentosNo Parque das Flores, capacidade foi ampliada para até 500 sepultamentos - Foto: Genival Fernandez/Agência Pixel Press/Folhapr

Antes mesmo de o novo coronavírus chegar ao Brasil, profissionais do setor funerário de Pernambuco já se organizavam para o que estava por vir. Nas últimas semanas, com o avanço de casos, a estrutura dos cemitérios foi reformulada, para evitar um colapso no sistema, assim como o das funerárias, que tiveram aumento no ritmo do trabalho.

No Cemitério do Guadalupe, em Olinda, foi registrado um aumento na demanda de sepultamentos e novas covas foram abertas, mas "dentro do calendário anual e sem temor por um 'colapso' no sistema", informou a Secretaria de Saúde da cidade. Já a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), responsável pela administração dos cinco cemitérios públicos do município - Santo Amaro, Parque das Flores, Tejipió, Casa Amarela e Várzea -, explicou como tem sido o trabalho em tempos de pandemia, informando em nota que "preparou duas de suas necrópoles para receberem os sepultamentos relacionados aos casos de Covid-19, de acordo com as determinações da Nota Técnica 04 da Secretaria Estadual de Saúde. No caso, Parque das Flores, com capacidade para até 500 sepultamentos e mais 1.000 em Santo Amaro. Uma quadra em cada um destes locais foi isolada para as referidas atividades funerárias".

Os sepultamentos ocorrem em caixões lacrados, podendo reunir, no máximo, dez pessoas, desde que respeitadas as medidas de distanciamento. Os coveiros, por sua vez, estão equipados com máscara cirúrgica, protetor facial, luvas, bota impermeável de cano longo e avental descartável. A respeito da demanda das funerárias, a autarquia explica que "estuda a disponibilização de um espaço e procedimentos adequados para receber os corpos corretamente acondicionados e isolados em locais das duas necrópoles públicas durante o horário noturno."

Vivianne Guimarães, diretora de mercado do Grupo Vila, que administra o cemitério Morada da Paz, em Paulista, destacou o aumento no número de sepultamentos na quinzena final de abril. "Em março, nós não observamos crescimento, mas nos últimos dias deste mês o volume de serviços aumentou 60% em comparação com o mesmo período em 2019. Só de sepultamentos a crescente foi de 30%, mas temos um estoque grande de jazigos, com mais de mil gavetas disponíveis", apontou. De todos os atendimentos no mês, 62% foram por conta de suspeita ou confirmação da Covid-19.

Nas funerárias, desde os primeiros casos da Covid-19, virou fundamental o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). "Todos os dias conversamos com os funcionários para orientar como deve ser o trabalho e os cuidados com a saúde. Também nos preocupamos com o cansaço deles. Antes, alguns largavam 18h; hoje vão até as 21h", afirmou Herton Viana, proprietário da Funerária Baptista, em Santo Amaro.

"Acho que ainda não estamos no pico. A demanda aumentou em 30%, mas, no meu caso, teve uma redução nos preços porque não há como preparar o corpo. Você coloca enrolado no lençol e bota no caixão fechado. Um serviço que antes custava uns R$ 2.600, hoje custa R$ 1.600", explicou.

Gerente da funerária Monte Cristo, Lucas Barreto, também em Santo Amaro, citou que o local já começou a sentir os efeitos da demanda por enterros. "Nas últimas duas semanas, nós estamos com dificuldade para conseguir caixões simples. Tem demorado a chegar. Por ora, não entramos em colapso. Acredito que é possível suportar os pedidos nos próximos dias, mas não sabemos como será o cenário nas semanas seguintes", frisou.

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