Seu Bartolomeu e a oficina de sonhos

Ele passa os dias entre os brinquedos para trazer de volta as crianças escondidas nos adultos, curar crianças com saudade dos bonecos e para ser feliz.

O Eu Acho é Pouco estampou o "Fora Temer" no dragão que vai na frente do blocoO Eu Acho é Pouco estampou o "Fora Temer" no dragão que vai na frente do bloco - Foto: Jota Nogueira/Antes que Suma

Que atire uma bolinha de gude quem nunca fez de um carrinho uma espaçonave. Brinquedos têm o poder de transformar adultos outra vez em meninos. Bartolomeu Francisco da Cruz é prova viva, um menino de 68 anos que dedica a vida a consertá-los.

Ele passa os dias entre os brinquedos para trazer de volta as crianças escondidas nos adultos, curar crianças com saudade dos bonecos e para ser feliz.

São mais de 50 anos de histórias para contar. Uma delas foi há 20 anos e o emociona como se tivesse sido ontem. “Era uma menina muito humilde e a família queria consertar uma boneca. Ela sentia falta do brinquedo. Dito e feito. Quando a menina a pegou de volta foi recuperando as forças, voltando a brincar, a ter ânimo”, lembra, emocionado. Emoção conhecida, que o lembra da própria história. “Minha tia me deu um cachorrinho de papelão quando eu estava com sarampo. Foi o início dessa loucura que me mantém apaixonado”.

Hoje em dia, Bartolomeu encontra esse brilho nos olhos de muitos adultos. Entre os pacientes que tem na loja, está uma boneca estrela. Com pouco cabelo de calvície, olhos frios e uma perna a menos, a boneca é a menina dos olhos de dona de casa Vanilma Oliveira, 50. A primeira boneca da vida, trazida pelo irmão mais velho da Bahia, é guardada com carinho, como um troféu. “Sempre que eu olho para ela lembro da época em que a ganhei. Sempre fui muito zelosa, não deixei meus filhos brincarem com ela, nem meus netos vão fazer isso. Ela é o meu bebê”, conta. Quando a tiver de volta, Vanilma pretende aumentar a coleção de roupas da integrante da família.

Outros vão à loja pelo prazer de dar presentes. É o caso da Elaine Morais, 39, e sua mãe Jacira, 61, que precisavam consertar uma boneca que sopra bolhas de sabão. A boneca já não é mais de nenhuma das duas, pertence a uma garotinha de 5 anos, filha de uma amiga em comum. “Ela estava guardada há bastante tempo e decidimos dar”.

A pequena oficina na rua da Palma guarda dezenas de “passes mágicos” que estão à espera de rodas ou pernas novas. Carrinhos. Helicópteros. Bonecas. O artesão prefere vender que doar, para não dar briga. “Já doei muito brinquedo. Quando você chega numa comunidade, não pode faltar. Fica todo mundo rindo, parece criança”, conta. A Oficina fica no 2° andar do edf. Sael, na rua da Palma, em Santo Antônio, Centro do Recife.

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