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Silvia Rissin é a primeira mulher a assumir a presidência do Imip

Silvia Rissin assume o cargo mais importante da instituição no lugar de Gilliatt Falbo, que ficou oito anos à frente do Imip

Silvia RissinSilvia Rissin - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

“Colabore com o Imip. Ele precisa de você e você precisa dele”. É com esse lema, que agrega governos e comunidade unidos na manutenção do hospital, que a nutricionista Silvia Rissin pretende conduzir o Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (Imip) pelos próximos dois anos. Ela é a primeira mulher a assumir a presidência da casa, localizada no Recife e que é referência nacional e internacional na área materno-infantil em Pernambuco.

A escolha do nome de Silvia Rissin para o maior cargo da unidade vem depois de uma história de mais de 20 anos à frente da Fundação Alice Figueira (FAF), onde desempenhou papel decisivo na arrecadação de doações que ajudam a sustentar os milhares de atendimentos gratuitos. A transmissão de cargo do antigo presidente Gilliatt Falbo, que ficou oito anos na presidência e que decidiu retomar as atividades acadêmicas com exclusividade, para Rissin aconteceu nessa segunda-feira (20) e reuniu diversas personalidades do setor da saúde.

“O Imip é uma das principais instituições de saúde pública do Estado de Pernambuco. Todo mundo fica impressionado: como é que um hospital filantrópico tem 1.050 leitos, 100% à disponibilidade do SUS e atende seis mil pessoas por dia? A instituição agrega ensino, assistência e pesquisa, que são os três pilares da saúde publica em qualquer lugar do mundo. Prestigiar essa transmissão de cargo é uma forma de prestigiar o SUS”, disse o secretário estadual de Saúde, Iran Costa.

Ex-presidente do Imip, o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, também destacou a importância do desafio que Rissin terá pela frente. “É com alegria que viemos celebrar toda a contribuição que Gilliatt Falbo deu à instituição durante toda a sua trajetória e que entrega (o cargo) hoje (ontem) a Silvia Rissin. Ela foi, como presidente da FAF, uma pessoa muito forte e perseverante no sentido de garantir recursos para a instituição”, disse.

É essa disposição para interlocução entre sociedade e Imip, que Silvia Rissin promete levar como bandeira na sua gestão, principalmente para apoio financeiro a manutenção dos serviços da casa, que se aproxima dos 60 anos . A nova presidente conversou com a Folha de Pernambuco sobre os desafios da nova jornada, que tem na questão econômica e de recursos humanos pontos nevrálgicos.
A senhora é a primeira presidente mulher do Imip. Como a senhora recebe essa função de protagonista feminina no comando na instituição?
Eu acho que o fato de ser mulher é uma demonstração de que as pessoas que me escolheram acreditam no poder da mulher como profissional igual a qualquer homem que seja também competente. Porque o que importa é o entusiasmo, a dedicação e o compromisso com a instituição. Escolheram uma mulher não pelo fato de ser uma mulher, mas pelo fato da minha experiência de 22 anos como presidente da Fundação Alice Figueira e por estar engajada na filosofia do Imip, de atender os mais carentes, atender da melhor forma possível. Ser mulher ou não pesou muito pouco.

Que experiências de tantos anos com a FAF a senhora traz para a presidência?
Eu acho que essa experiência que adquiri na FAF me ensinou a lidar com a sociedade de uma maneira geral, no sentido de que a sociedade precisa cooperar com a obra da magnitude do Imip. Para você alcançar as pessoas você tem que tocar na emoção delas. Você tem que tocar exatamente na motivação que levaria aquelas pessoas a acreditarem que podem, de fato, melhorar o seu entorno. Outra experiência que adquiri foi lidar com os recursos humanos da instituição. Você ter uma equipe competente, engajada, que não meça esforços para alcançar os objetivos depende disso. As pessoas são diferentes, têm várias formas de pensar e têm formações diferentes. Então, você aprende a lidar com isso. Extrair daquela pessoa o melhor como funcionário, colaborador, é uma ciência que se adquire só com a prática.

O SUS vem sofrendo vários cortes. Como à senhora vislumbra o planejamento financeiro do Imip para os próximos dois anos?
O Imip é quase 100% SUS. Porque a FAF complementa com as doações recebidas um pouco do déficit permanente que o Imip sofre. Não consegue complementar totalmente, mas é uma boa e grande colaboração. Eu acho que para você lidar com uma instituição que depende quase que exclusivamente do Sistema Único de Saúde - com recursos que são repassados do Governo Federal e que nem sempre cobrem as despesas que são efetuadas -, é preciso evitar desperdícios e diminuir custos sempre que puder, sem prejudicar a qualidade dos serviços. Quem lida com saúde não pode apenas optar pelo mais barato, tem que ter o cuidado de optar pelo mais barato, contanto que ele atenda às necessidades do paciente. É muito importante ter austeridade administrativa. Você ter honestidade ao lidar com o dinheiro público.

Sobre planejamento para o futuro. Haverá abertura de novos serviços? Ampliação?
Eu preciso primeiro me conscientizar das necessidades prioritárias antes de pensar em algum projeto grandioso ou algo novo que venha impactar. Minha preocupação é manter o equilíbrio financeiro da instituição dentro de uma harmonia dos prestadores e dos nossos pacientes. Depois disso é que vamos poder estabelecer prioridades, definir que projetos vamos implantar. A ressonância magnética, por exemplo, eu sei que o Imip está precisando mais do que tudo nesse momento, porque a FAF estava e vai continuar com campanha para adquirir esta máquina. Eu não poderia nunca fazer outra despesa tão grande que viesse a tirar essa prioridade que já existe. Outra necessidade é um gerador. Vou tentar primeiro atender o que é mais necessário e urgente. E depois vamos cuidar de novos serviços e projetos.

 

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