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Sistema que monitora ônibus começa a operar nesta segunda-feira

Sistema de monitoramento acompanha se as empresas de ônibus cumprem os acordos firmados em licitações e fornece aos usuários dados sobre as linhas

Usuários do transporte público esperaram quatro anos para ver o projeto começar a sair do papel Usuários do transporte público esperaram quatro anos para ver o projeto começar a sair do papel  - Foto: Rafael Furtado

 

Começa a operar a partir desta segunda (08), ainda em fase de teste e em apenas um terço da frota, o Sistema Inteligente de Monitoramento da Operação (Simop), depois de quatro anos de espera por parte dos usuários de transporte público. Trata-se de uma ferramenta que, além de servir para que o Governo do Estado acompanhe se as empresas cumprem os acordos firmados através de licitações, fornece aos usuários dados sobre as linhas de ônibus - como horário de chegada e saída e itinerários. Tudo exibido em painéis distribuídos nos terminais de BRT, integrações e no aplicativo do Grande Recife Consórcio de Transporte disponível para Android e IOS.

Inicialmente, serão contempladas as linhas Norte/Sul e Leste/Oeste do BRT e as administradas pela empresa Globo, a única que aderiu de forma voluntária ao Simop e fez parte do projeto piloto, em 2015. O projeto começa a sair do papel depois da primeira rodada de negociações mediada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) no dia 24 de setembro, quando sociedade civil, Grande Recife Consórcio de Transporte e a Urbana, sindicato que representa as empresas operadoras do sistema, determinaram a data para o início da fase experimental.

A licitação internacional é de 2014, quando a empresa espanhola Etra ganhou o contrato de R$ 40,2 milhões, ficando responsável pela instalação de um de um projeto inovador que serviria como exemplo para o resto do Brasil. A multinacional está à frente de sistemas de informação como o do Transmilênio, corredor de BRT colombiano considerado um caso de sucesso no mundo. O prazo máximo para a finalização do projeto seria em janeiro de 2019, mas o cronograma inicial previa o final da implantação para o final de 2015. Contudo, o não cumprimento se deu principalmente, pelo atraso no início do projeto piloto, problemas com as empresas operadoras de rede de comunicações (2G e 3G), automação de processos internos, entre outros, segundo o Grande Recife por meio de nota.

O MPPE instaurou no dia 1º de agosto um inquérito civil para apurar o atraso na instalação do sistema. “O Estado passa por dificuldade financeira, como todo o País passa, por conta da crise econômica e teve que fazer escolhas, por isso o atraso”, disse Humberto Graça, promotor do Transporte do MPPE. Um aporte de R$ 2 milhões vindos da União em agosto irá garantir a continuidade do projeto até o final do ano. Do início do projeto, em 2015, até o fim do ano passado, já foram investidos R$ 23 milhões. Se o Governo não conseguir arcar com os pagamentos até o fim do prazo previsto na licitação, todo esse dinheiro é perdido, já que o sistema instalado e equipamentos utilizados pertencem à empresa espanhola, que repassa tudo para o Governo do Estado caso o contrato seja quitado.

“Em maio o Grande Recife baixou uma resolução dizendo que as demais empresas também aderissem ao Simop”, explica Pedro Josephi, da Frente de Luta Pelo Transporte Público de Pernambuco. Ele explica que é através da quantidade de viagens e passageiros que o Estado remunera as empresas de ônibus através de subsídios fiscais. O secretário das Cidades, Francisco Papaléo garantiu a continuidade do projeto. “Realmente algumas questões precisavam de ajustes e foram feitas. Primeiro que a gente precisa do apoio de todo o empresariado para que o sistema seja implantado e eles se comprometeram a cooperar. Temos a assinatura do presidente da Urbana-PE, Fernando Bandeira, registrado em ata.” Agora, as empresas irão instalar ou revisar os equipamentos instalados nos 2,7 mil veículos que compõem a frota do Grande Recife para que o projeto funcione de forma definitiva, beneficiando 1,8 milhão de usuários diariamente. “Esperamos que até o final do ano o sistema esteja operando em toda a nossa frota”, finalizou Papaléo.

 

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