Sítio Histórico de Olinda tem patrimônio depredado

Antes mesmo de o Carnaval começar oficialmente em Olinda, cidade já tem problemas com aumento no fluxo de visitantes

Prefeitura realiza o levantamento de mais de 40 pontos a serem tapumados que deve ficar pronto em alguns diasPrefeitura realiza o levantamento de mais de 40 pontos a serem tapumados que deve ficar pronto em alguns dias - Foto: Rafael Furtado

 

A chegada do Carnaval acende mais uma alerta quanto à necessidade de preservação do patrimônio no Sítio Histórico de Olinda. O aumento no fluxo de visitantes tem sinalizado um crescimento na depredação de igrejas e demais monumentos entre as ladeiras da Cidade Alta. O fator segurança também implica em preocupação para turistas e foliões. Com previsões de gastos de mais de R$ 50 milhões, obras de restauração de bens tombados se arrastam desde 2013. Sem qualquer isolamento, os prédios, alguns com risco de desabamento, podem causar acidentes em moradores ou visitantes.

A Igreja do Bonfim é exemplo da morosidade. O templo faz, em fevereiro, cinco anos desde que foi interditado pela Defesa Civil, sendo alvo de ação do Ministério Público estadual. “Parte do reboco se desprende do teto com frequência. Retiraram a cruz do topo, mas a torre permanece rachada. É comum ouvir estalos”, conta a veterinária Christiani Gondim, moradora do lado. Em setembro, a gestão municipal anunciou a licitação para o restauro. Tudo segue ao deus-dará e até tapumes de proteção foram subtraídos. A promessa da nova gestão, que acionou o Tribunal de Contas para sanar erros de execução, é de que o serviço se destrave até maio.

Os 14 projetos da cidade contam com verbas do PAC Cidades Históricas do Governo Federal. Na Igreja de São Pedro Mártir Verona, que também aguarda por obras, festas recentes impulsionaram o desrespeito. “Vi gente pichando paredes e homens usando as portas para urinar. Uma grande vergonha”, revela a moradora Elizete Mendonça, 44. Na fachada há muito avariada, faltam vidros nas esquadrias, as janelas de madeira estão sucateadas e os portais de acesso têm pedras soltas. Tudo sem proteção.

A falta de cuidado também está nas bicas de Olinda, nas instalações dos mercados e casario e no largo do Museu de Arte Contemporânea. “Temos acompanhado um crescimento da depredação. Entendemos que é preciso coibir esse tipo de crime com conscientização, mas também com uso das forças de segurança”, afirma o secretário-executivo de Patrimônio, Emmanuel Andrade. Segundo ele, o levantamento para mais de 40 pontos a serem tapumados deve ficar pronto em alguns dias. “Vamos ampliar a fiscalização e aproveitar o isolamento para estampar o trabalho dos nossos artistas.”

A Igreja e o Seminário Nossa Senhora da Graça, que apresentaram rachaduras e deformações, também aguardam por dinheiro. No Convento de São Francisco, andaimes e pedaços de madeira serviram, semana passada, como armas para brigões. O gestor do Iphan em Olinda, Fernando Augusto, avalia que é preciso trabalho constante. “Estamos finalizando estudo para apresentar ao Ministério Público os danos graves que esses monumentos vêm sofrendo ao longo de anos”, diz. Ele culpa a burocracia para o atraso na liberação dos recursos.

 

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