Sobre o Dia Mundial do Coração

Os cuidados com o consumo do sal, açúcar e gordura são a base da orientação dietética nesses casos.

HamletHamlet - Foto: Divulgação

 

Recentemente comemorou-se o Dia Mundial do Coração (29/09) e nas campanhas a hipertensão arterial e as hiperlipidemias (taxas elevadas das gorduras no sangue) foram o foco das orientações dietéticas, levadas não somente àqueles que já possuem diagnóstico confirmado, mas a toda a população, como cuidado de atenção primária - ou seja, como promoção e prevenção em saúde.

Os cuidados com o consumo do sal, açúcar e gordura são a base da orientação dietética nesses casos. Na realidade, quando se fala do sal de cozinha, é o sódio que está em questão. Os hábitos atuais indicam um consumo exagerado deste elemento, porque, além de se encontrar fazendo parte naturalmente de alguns alimentos, ainda é usado como tempero (na forma de cloreto de sódio), como realçador de sabor (compondo o monoglutamato de sódio) e como conservante (sob diversas denominações). Encontra-se sódio também em alguns edulcorantes (ou adoçantes) artificiais - como o ciclamato de sódio e a sacarina sódica, no bicarbonato de sódio, etc.

Consumir com moderação o sal de cozinha e outros ingredientes à base de sódio é uma regra de ouro para todas as pessoas, desde a infância. A propósito, há ocorrência de elevação das taxas sanguíneas de gorduras e de hipertensão arterial também nas crianças, o que levou os órgãos médicos a estabelecerem como rotina a aferição da pressão arterial nas consultas de pediatria a partir dos três anos de idade.

A maior dificuldade no controle da ingestão de sódio, ao nosso ver, é a frequência de consumo cada vez maior de alimentos processados e ultraprocessados. O significativo teor de sódio acrescentado aos alimentos e a associação com a elevada incidência das referidas doenças na população, levou governos e indústrias a estabelecerem um pacto de redução do sódio nos alimentos, com metas escalonadas ao longo de alguns anos.

Quanto às gorduras, as que oferecem maior risco para o surgimento da hipertensão e das hiperlipidemias e de suas complicações são o colesterol, a gordura saturada e a gordura trans contidas nos alimentos. Os produtos de origem animal são as fontes mais importantes dos dois primeiros: carnes, vísceras, crustáceos, gemas de ovos, laticínios e todos os seus derivados possuem teor variado de colesterol e gordura saturada. A recomendação dietética para as pessoas com elevadas taxas dessas gorduras é o consumo moderado desses alimentos e a substituição por outros com menor teor.

Consumir frango e peixe mais vezes do que a carne bovina, músculo ao invés de peito ou cupim, retirar toda a gordura aparente das carnes antes do cozimento, optar pelas versões light dos laticínios, restringir o consumo de gemas a três unidades por semana quando o colesterol estiver muito elevado são medidas sensatas que contribuem para melhorar o perfil de gorduras na corrente sanguínea.

A gordura trans ou gordura vegetal hidrogenada é largamente usada na indústria de alimentos em virtude dos seus atrativos resultados culinários: sabor, consistência, crocância, etc. Margarina, biscoito, bolacha, sorvete, massas e recheios dos mais variados tipos são apenas alguns exemplos de alimentos que contêm gordura trans. 

Seu consumo elevado se traduz no mesmo risco da gordura saturada e do colesterol para o surgimento ou o agravamento da hipertensão, infarto, acidente vascular cerebral, etc.
Por fim, o consumo elevado de carboidratos simples (vulgarmente chamados açúcares ou massas) resultam em sua transformação num tipo de gordura, também: os triglicerídeos. Estes se depositam sob a pele, constituindo o tecido adiposo. Indivíduos com elevada concentração de gordura abdominal possuem maior risco de doença coronariana (entupimento das artérias do coração).