Startup de PE faz crowdfunding para bengala high-tech e óculos ultrassônicos

'Para pessoas com deficiência, a tecnologia torna a vida possível', diz diretor de qualidade da AWA, Washington Carvalho

Com os óculos, quando o usuário se aproxima do obstáculo, são emitidas vibrações que o alerta sobre o perigo adianteCom os óculos, quando o usuário se aproxima do obstáculo, são emitidas vibrações que o alerta sobre o perigo adiante - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Acoplar tecnologia a dispositivos que deem mais autonomia a pessoas com deficiência visual em seu dia a dia. Esta é a proposta da start-up pernambucana AWA, que tenta viabilizar a confecção comercial de uma bengala high-tech e óculos ultrassônicos. Os equipamentos já têm protótipos, mas precisam de um empurrão econômico para chegar àqueles que precisam. Para tanto, os desenvolvedores iniciaram uma campanha de colaboração coletiva (crowdfunding) que financie a ideia, inclusive barateando os preços de venda dos itens no futuro.

“A gente acredita que a tecnologia torna, para as pessoas sem deficiência, a vida mais fácil. Para pessoas com deficiência ela torna possível”, destacou o diretor de qualidade da AWA, Washington Carvalho.

Deficiente visual desde os 2 anos de idade, Carvalho garante que os dispositivos ampliam a segurança e independência do usuário na circulação pelo espaço. Sobre os óculos, ele explicou que o equipamento funciona, a priori, por meio de um alerta vibracional. “Conforme o usuário vai se aproximando de algum obstáculo aéreo, os óculos emitem vibrações, através de um motor de vibração. E assim, o usuário consegue identificar o perigo”, disse.

Outras possibilidades para o equipamento é a implantação de uma inteligência artificial que capture as imagens nos locais, faça uma descrição e localização do deficiente naquele ambiente. “A isso chamamos de localização indoor”, explicou Carvalho. Leituras de materiais impressos, como cardápios e cédulas, também são hipóteses em avaliação. Já a bengala deve contar com sensores na ponteira, também com vibração, que identifique umidade no terreno e presença de poças de águas.

Os deficientes aprovaram as soluções. “Tudo isso vai ajudar muito, porque o deficiente visual enfrenta muitas dificuldades na rua. Essas tecnologias vão facilitar a vida, mas o ideal é que o custo para compra seja barato”, comentou Maurio José do Carmo, 57 anos. “Esses óculos, pelo visto, vão nos ajudar a andar, descobrir novos caminhos, a ler. Eu mesma já bati em poste, carro, lixeiras no meio da rua, porque não identifiquei os obstáculos. Acho que será extraordinário”, disse Adivanete Batista, 55.

A meta da AWA, para que os produtos sejam acessíveis, é que o preço da bengala gire em torno de R$ 80 e o dos óculos, R$ 350.

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