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SUS terá protocolo contra a obesidade

Protocolo deverá definir faixa etária para tratamento a partir dos 18 anos e o oferecimento de remédios pelo SUS

Obesidade pode ser um dos motivos da insuficiência cardíaca Obesidade pode ser um dos motivos da insuficiência cardíaca  - Foto: AFP

Na véspera do Dia Mundial de Combate à Obesidade, celebrado nesta quinta-feira (11), o Brasil segue as discussões sobre a criação do primeiro Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a obesidade e o sobrepeso no SUS. No mesmo dia da data emblemática do alerta para a doença, o País completa um mês do encerramento de uma enquete com a sociedade civil, profissionais de saúde e população, sobre sugestões para o protocolo. A pauta está com a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS (Conitec) e já há algumas proposições em análise. Entre elas, a definição etária para tratamento a partir dos 18 anos e a inserção das medicações sibutramina e orlistate, para ajudar na perda de peso, de forma gratuita.

Em todo o mundo, a obesidade tem crescido e caracterizado uma epidemia. Dados do sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (Vigitel) mostraram que a doença cresceu 60% em dez anos - de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016. O protocolo preliminar traz recomendações para usuários atendidos na atenção básica e especializada do SUS. Além da idade mínima para serem elegíveis ao tratamento, o usuário deve ter Índice de Massa Corporal (IMC ) igual ou superior a 25 kg/m2, entre outras exigências.

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O protocolo inclui ainda orientação para que os portadores de diabetes tenham acesso a terapia dietética, atividade física, suporte psicológico, terapias combinadas, terapia farmacológica, práticas integrativas e diagnóstico. “Tudo isso está sendo discutido, mas ainda não foi batido o martelo. Contudo, uma das principais implicações é a possibilidade de haver remédio para obesidade no serviço público, o que até agora a gente não tem. Se esse protocolo andar, passaremos a ter esses remédios pagos pelo SUS”, comentou o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Fábio Moura.

Na avaliação do chefe do serviço de obesidade do Hospital das Clínicas de Pernambuco, Álvaro Ferraz, a instituição do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas nacional promoverá uma abordagem positiva e linear com os pacientes em unidades saúde menores, já que nos hospitais de referência, como o HC, já há um fluxo bem definido . “Isso é mais importante para as unidades básicas e hospitais menores, para criar uma sistematização de atendimentos. Hoje o que a gente vê nesses locais é que cada um trata do jeito que quer”, disse.

Ferraz ainda lembrou que os cuidados com os obesos, na sua maioria, são clínicos, passando por reeducação alimentar e exercícios. Outra parcela precisa de intervenção medicamentosa. Contudo, um grupo importante são os superobesos, para quem a intervenção mais indicada pode ser a cirúrgica, mas que vem em queda vertiginosa de procedimentos por falta de financiamento federal. “No ano passado a gente fez 115 cirurgias. Já este ano não vamos fazer 60”, lamentou Álvaro.

O HC é um dos quatro hospitais que fazem o procedimento pelo SUS no Estado. O diretor médico do Centro Médico Ermírio de Moraes da Prefeitura do Recife, Silvio Paffer, acredita que será difícil a incorporação ao SUS de drogas caras (com custo médico mensal na casa dos R$ 300). Ele defende a prevenção como melhor e mais econômica forma de combate. “É melhor focar nos processos patológicos antes que eles comecem do que tratar a doença de maneira definitiva”, pontuou.

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