Suspeito de assassinar Tássia Mirella vai a júri popular nesta segunda

O comerciante Edvan Luiz da Silva, 34, será julgado no Fórum Thomaz de Aquino, no bairro de Santo Antônio, área Central do Recife

A fisioterapeuta Tássia Mirella de Sena Araújo tinha 28 anosA fisioterapeuta Tássia Mirella de Sena Araújo tinha 28 anos - Foto: Facebook

O julgamento do comerciante Edvan Luiz da Silva, 34, preso suspeito de assassinar a fisioterapeuta Tássia Mirella de Sena Araújo, morta em 5 abril de 2017 aos 28 anos, acontece nesta segunda-feira (5), na 3ª Vara do Júri, no Fórum Thomaz de Aquino, no bairro de Santo Antônio, área Central do Recife.

O júri popular, que começou às 9h, é presidido pelo juiz Pedro Odilon de Alencar e não tem previsão para terminar.

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De acordo com Rawlisson Ferraz, advogado de defesa de Edvan Luiz da Silva, a tese do acusado é a de negativa de autoria. “Edvan sustenta que não fez isso e, tecnicamente, nós vamos discutir as provas do processo e exercer o direito constitucional de uma ampla e eficiente defesa como a lei determina”, afirmou. Foi informado pelo profissional que o réu permanece com o discurso de que estava em casa dormindo no momento em que o crime aconteceu. 
  
No tribunal, o advogado explicou a falta de testemunhas de defesa. “As testemunhas de defesa têm que ser do fato, infelizmente é um fato que não há testemunha presencial, por isso a defesa optou por não convocar ninguém”, argumenta.

Em contrapartida, a promotoria já confirmou que pedirá a pena máxima por crime de estupro e homicídio com as qualificadoras de crueldade. O promotor de Justiça Antônio Arroxeles acredita que as provas contra o acusado são sólidas e de difícil defesa. “No meu entender, é praticamente impossível essa negativa”, afirma.

Quanto às provas, o advogado antecipa que impressões digitais, matéria orgânica do sangue da vítima são alguns dos laudos periciais que serão apresentados no julgamento desta segunda. “Nós temos a comprovação de que ele esteve no apartamento no momento em que a vítima foi morta - temos impressões digitais semelhantes às digitais do pé dele no apartamento, temos matéria orgânica dele nas unhas da vítima, temos comprovação de cabelo dele na mão da vítima, temos camisa que ele limpou o sangue”, explica o promotor.

O profissional afirma, ainda, que foi possível, através da perícia, localizar sangue da vítima em cômodos do apartamento do acusado e no corredor que interligava os dois apartamentos. Edvan também apresentava marcas de mordida humana no corpo.

Família
Sentado na primeira fileira de cadeiras do tribunal, o pai de Tássia Mirella, Wilson Araújo, veste uma camisa que homenageia a filha. Para ele, o momento é de dificuldade, mas também de fortalecimento da luta por justiça. “Toda a semana tem sido muito difícil para nós porque é um filme que está passando na nossa cabeça”, conta.

O júri popular é o primeiro momento., desde o crime, em que os familiares da vítima encontram com o acusado. “A presença dele não vai nos enfraquecer, pelo contrário, a gente tem pedido muito a Deus que esse momento nos fortaleça”, contou. Por fim, o pai ressalta o desejo de justiça que permeia toda a família: “Nossa expectativa é que a justiça seja feita, agora chegou a hora da justiça da terra punir”.

Testemunhas
O caso conta com quatro testemunhas de acusação que não terão os nomes divulgados por questões de segurança.

Por volta das 10h15 foi encerrado o depoimento da primeira testemunha de acusação. Foi essa pessoa quem teve o primeiro contato com a cena do crime, e que forneceu detalhes do dia do ocorrido. Em seu depoimento, que durou aproximadamente 40 minutos, a testemunha se emocionou ao reconstruir e cena e disse não ter tido coragem de entrar no apartamento. “Ele havia cortado o pescoço dela, ela estava despida ao lado da cama com o cabelo cobrindo o rosto”, descreveu com dificuldade.

A segunda testemunha de acusação encerrou o depoimento às 10h40. Ela acompanhou o caso durante a madrugada inteira, forneceu detalhes semelhantes aos da primeira testemunha ouvida e descreveu que, ao suspeitar do que estava acontecendo, tentou abrir a porta do apartamento da vítima, que estava destrancada, mas que não conseguiu devido a uma força empregada por alguém que estava no interior do imóvel.

A terceira testemunha começou a falar aproximadamente às 11h e relatou um caso de agressão vivenciado com o réu no bairro de Brasília Teimosa. 

No fim da manhã, foram exibidos três vídeos de testemunhas da acusação - os pais de Tássia Mirella e do vizinho da fisioterapeuta.

Entenda o caso
A fisioterapeuta Tássia Mirella de Sena Araújo foi encontrada sem vida no dia 5 de abril de 2017 na sala do flat onde morava, no 12º andar do edifício Golden Shopping Home Service, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Segundo a perícia, Tássia Mirella foi encontrada sem roupa e teve o pescoço cortado, tipificando o crime em feminicídio.

No dia 25 de abril no mesmo ano, a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra Edvan Luiz da Silva, 34, por homicídio qualificado. Depois disso, foram realizadas duas audiências de instrução, encerrada com o interrogatório do réu e a pronúncia do juiz. O suspeito que nega a autoria do crime, foi encaminhado ao presídio de Igarassu, no Grande Recife.

Em novembro de 2017, o governador Paulo Câmara assinou a Lei nº 16.196, onde instituiu a data do crime, 5 de abril, como o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio em alusão a morte de Tássia Mirella.

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