Suspeito de envolvimento em morte de comerciante em Paulista é preso

Lucas Alves de Lima estaria envolvido no assassinato do comerciante Cláudio José de Morais. Defesa diz que ele é inocente e apenas comprou o celular do autor do crime

Lucas Alves Lima, suspeito de ordenar o latrocínioLucas Alves Lima, suspeito de ordenar o latrocínio - Foto: Divulgação/PCPE

A prisão temporária de Lucas Alves de Lima, de 28 anos, suspeito de envolvimento na morte do comerciante Cláudio José de Morais, foi apresentada na manhã desta terça-feira (20) pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). O crime ocorreu no dia 1º de dezembro de 2017, no bairro do Nobre, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife (RMR). Cláudio foi assassinado quando dirigia o seu veículo na rua do Riachuelo e foi atingido por um único disparo de arma de fogo, na região do ouvido esquerdo.

Uma moto pertencente a Thyago Xavier Vieira, de 18 anos, foi encontrada a cerca de 300 metros do local do crime. Uma câmera de segurança filmou dois homens no veículo perseguindo o empresário minutos antes do latrocínio. O carro de Cláudio bateu na moto, quebrando-a e obrigando a dupla a abandonar o veículo no local.

Thyago havia alegado ter sido vítima de um assalto antes do fato. Porém, a investigação apontou que ele usou o telefone do amigo Filipe Henrique Bezerra da Silva, de 22 anos, conhecido como Filipinho, para acionar o Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods) e fazer a falsa comunicação do assalto como forma de álibi.

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De acordo com a PCPE, para dar mais sustentabilidade ao álibi, Thyago na sequência contou os fatos a Lucas Alves de Lima, preso nesta terça, e entregou o telefone que teria sido roubado, ordenando que ele inutilizasse o aparelho. Após os pedidos de prisões temporárias, Thyago acabou confessando o delito em coautoria com Filipinho e afirmou que ganharia R$ 2 mil pelo serviço, em virtude de uma suposta dívida de Filipe com a vítima. 

Imagens divulgadas pela PCPE mostram perseguição

Imagens divulgadas pela PCPE mostram perseguição - Crédito: Divulgação/PCPE

O delegado da 7ª Delegacia de Homicídios de Paulista, Augusto Cunha, falou sobre a participação de Lucas no crime. "O Lucas, a princípio, foi identificado como o que estava com a posse do celular que fez a ligação. A prisão temporária dele foi decretada para que aprofundemos as investigações". Segundo Augusto, o ponto de partida das investigações foi uma moto que foi abandonada nas imediações do local do crime.

"Foi possível identificar a propriedade dessa moto, pertencente ao suspeito Thyago. Então ele foi ouvido e contou, numa tentativa de escapar da ação da polícia, que essa moto teria sido roubada e que, portanto, ele não teria nada a ver com o homicídio. Em seguida, o celular utilizado para comunicar o roubo tinha sido de um amigo dele. A partir disso, foi verificado que era uma mentira para escapar da polícia. O próprio Thyago assumiu a culpa do homicídio em depoimento e falou que esse amigo era o responsável por conduzir a motocicleta e que ele foi o autor dos disparos".

Não foi identificado o roubo de nenhum bem do empresário e a hipótese do latrocínio é apontada como uma tentativa dos suspeitos de diminuir a pena. "Trabalhamos com latrocínio como principal linha de investigação, mas há uma hipótese remota de que tenha sido um homicídio, motivado por uma suposta dívida que Filipe teria com a vítima. Uma das hipóteses é de que Lucas teria oferecido cerca de R$ 2 mil para que Thyago e Filipe executassem o crime", explicou a delegada Larissa Azedo.

Suspeitos do crime: Thyago (esquerda), Filipe (centro) e Lucas (direita)

Suspeitos do crime: Thyago (esquerda), Filipe (centro) e Lucas (direita) - Crédito: Divulgação/PCPE

Defesa de Lucas diz que ele é inocente

Sílvio Batista, que é o advogado de Lucas Alves de Lima, tem uma versão diferente para o caso. Ele entrou em contato com a reportagem da Folha de Pernambuco e explicou que o crime de Lucas foi apenas ter omitido alguns dados da polícia, por medo de represálias por parte de Thyago e Filipe. "Lucas não teria motivo algum para matar a vítima, que ele sequer conhecia. Ele jamais esteve na cena do crime", destacou.

Segundo Sílvio Batista, Lucas teria adquirido o aparelho telefônico quatro dias após a ligação de falsa comunicação para o Ciods e o assassinato de Cláudio. "Era um aparelho de propriedade de Thyago, que foi vendido legalmente por R$ 250. Veio com nota fiscal e tudo, e ele comprou de boa fé", ressalta.

Sílvio acompanhou o cliente à 7ª Delegacia de Homicídios de Paulista, onde ele se apresentou espontaneamente. "Como Lucas não foi claro nas informações prestadas ao delegado, justamente por medo, a polícia entendeu que ele agiu como cúmplice e estaria ocultando informações essenciais para o caso, e por essa razão pediu a prisão preventiva dele", afirmou.

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