Suspeito visitou parque aquático dias antes do assassinato de empresário

A pistola .45 encontrada na casa de Rodrigo Gomes da Silva, apontado como um dos suspeitos de envolvimento no crime que vitimou Mário Gouveia, é a mesma que disparou os tiros que atingiram Wallace Everton do Nascimento, de 22 anos.

Coletiva de imprensa sobre o assassinato de Mário Gouveia FilhoColetiva de imprensa sobre o assassinato de Mário Gouveia Filho - Foto: divulgação/PCPE

A pistola .45 encontrada na casa de Rodrigo Gomes da Silva, apontado como um dos suspeitos de envolvimento no assassinato do empresário Mário Cavalcanti Gouveia Filho, de 79 anos, é a mesma que disparou os tiros que atingiram Wallace Everton do Nascimento, de 22 anos. A arma pertencia ao empresário e foi levada pelos assaltantes. O resultado do laudo, que coloca Wallace na cena do crime, foi apresentado na manhã desta sexta-feira (26) em coletiva de imprensa promovida pela Policia Civil de Pernambuco.

A delegada Euricélia Nogueira, à frente do caso, disse que Mario Gouveia foi morto por tiros de uma pistola calibre 38 e que já tem o nome de outros suspeitos envolvidos no crime. A linha de investigação mais forte é a de interesse financeiro, mas nenhuma outra foi descartada. Uma dos suspeitos visitou a propriedade dias antes do latrocínio (roubo seguido de morte), ocorrido na madrugada da última terça-feira (23), no Parque Aquático Águas Finas, no quilômetro 17 da Estrada de Aldeia, em Paudalho.

Na mansão do empresário, foi encontrada uma 'touca ninja' utilizada por um dos bandidos que participaram da investida. “Nela nós encontramos material genético, que foi enviado para análise. Também encontramos sangue na casa. Então é possível que outro suspeito, além de Wallace, tenha sido ferido por Mário, que era conhecido por ser um exímio atirador”, contou a delegada.

Quatro suspeitos de envolvimento no crime foram presos. O primeiro deles foi Luciano Josuel de Santana, considerado pela polícia como o líder do grupo. “Com certeza, ele era o cabeça desse grupo que nós prendemos”, explicou a delegada. Ele esteve no domingo que antecedeu o crime, com a família, no parque aquático. “Deve ter ido colher informações, observar a área, pegar detalhes”, continuou Euricélia.

Luciano foi encontrado em uma granja em Chã de Cruz, bem próximo ao local do crime. Leonardo Nascimento Silva, mais conhecido como Matuto, também foi encontrado na mesma localidade. Já Rodrigo Gomes da Silva, com quem estava a arma de Mário, foi preso em uma chácara em Passarinho, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife.

A polícia encontrou, na mansão, projéteis de armas 9 mm, 380 e 38. Todos estão sendo analisados. “Priorizamos a análise da .45 porque sabíamos que o rapaz que morreu tinha sido ferido com uma arma dessa. E confirmamos que é a mesma arma”, contou a delegada. Há indícios que, mesmo participando ativamente do crime, Rodrigo não esteve presente na noite da investida contra a propriedade onde se localizava a residência do empresário.

Como a Folha de Pernambuco trouxe em primeira mão, a delegada confirmou que alguns dos suspeitos já haviam prestado serviço para Mário Gouveia. Eles também agiam como “guarda do apito” na localidade e eram conhecidos por prestar serviços de vigilantes para comerciantes. Segundo a polícia, a ação foi planejada há mais ou menos 30 dias. “Uma pessoa também nos procurou. Ela é de uma chácara em Paudalho e disse que passou por uma situação semelhante. Então, pode ser que seja uma quadrilha especializada no roubo de armas, de colecionadores. Tudo está sendo apurado. As coisas ainda estão chegando até nós.”

Pelo menos quatro armas foram levadas da coleção do empresário, mas a Polícia aguarda o depoimento da viúva para saber mais detalhes sobre o que foi roubado. “Ela ainda está muito abalada. Estamos vendo para marcar um lugar e colhermos esses depoimento”, disse Euricélia. De acordo com a polícia, inicialmente os quatro presos  estavam colaborando com a investigação, mas, orientados pela defesa, não falaram mais durante a ouvida. “Por enquanto, não descartamos a participação de ninguém e nem outras linhas de investigações. Mas já temos outros suspeitos”, pontuou a delegada.

O crime
O assassinato de Mário Cavalcanti Gouveia Filho, 79 anos, ocorreu por volta de 1h30 da madrugada da última terça-feira (23), quando um bando que seria formado por 15 a 20 homens invadiu o Parque Aquático Águas Finas, no quilômetro 17 da Estrada de Aldeia, em Paudalho, onde estava localizada a casa do empresário, dono do
estabelecimento.

Em duas Fiat Toro, o grupo invadiu o local e roubou nove armas que faziam parte da coleção pessoal de Mário, além de um baú. O empresário estava com dois cozinheiros e com a esposa no momento em que foi alvejado. Mário Gouveia Filho, que teria reagido ao assalto, ainda foi socorrido pelo piloto, que também morava numa casa na propriedade, e levado no helicóptero particular do empresário para o Hospital Português, no Recife, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu por volta das 3h da madrugada da terça.

A ação, segundo informações da Polícia Militar de Pernambuco (PM), tinha o objetivo de levar uma coleção de armas da vítima, além de dinheiro.

À noite do mesmo dia, um dos suspeitos do latrocínio (roubo seguido de morte) morreu após passar ser levado a hospitais, ferido à bala na perna e no abdômen. Quatro outros suspeitos foram presos.

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