Taxa de mortes com cloroquina equivale à de quem não usa, diz estudo preliminar da Fiocruz

A taxa de mortalidade verificada em pacientes em iguais condições que não usaram a droga é de 18%, segundo estudos internacionais

Testes na FiocruzTestes na Fiocruz - Foto: Josué Damacena/IOC

Os resultados preliminares de um estudo feito com a cloroquina pela Fiocruz e pela Fundação de Medicina Tropical mostraram que a letalidade no grupo de pacientes com Covid-19 testado, em estado grave, foi de 13%. De 81 doentes internados que tomaram o medicamento, 11 morreram.

A taxa de mortalidade verificada em pacientes em iguais condições que não usaram a droga é de 18%, segundo estudos internacionais, inclusive da China. A proximidade dos dois índices não permite afirmar, por enquanto, que a cloroquina possa fazer diferença fundamental no tratamento dos doentes infectados pelo novo coronavírus.

"Os otimistas podem achar que [a taxa com o uso da cloroquina] é menor. Os pessimistas podem achar que é igual. Estatisticamente, é igual, na margem de confiança", diz o infectologista Marcus Lacerda, da Fiocruz, que participa do estudo.

Leia também:
Fiocruz lança site de doações para ações contra a Covid-19
Curva de internações por problemas respiratórios desacelera no Brasil, sugerem dados da Fiocruz
Fiocruz estima Recife como uma das cidades a acumular casos graves em curto espaço de tempo
 

A pesquisa deve seguir, portanto, até que os dados sejam conclusivos. "Tudo pode. Mas não podemos achar nada", diz ele, reafirmando que é preciso esperar pelas conclusões científicas e seguras do estudo.

Ele prevê que 440 pacientes, de diferentes hospitais do país, sejam testados -e pode durar ainda de dois a três meses. O grupo de pesquisa é integrado também pela cardiologista Ludhmila Hajjar, do Incor de SP. A ideia inicial era que a metade dos doentes tomasse uma dose de 10g de cloroquina e o outro grupo, a metade disso.

A dose maior, no entanto, se mostrou tóxica, provocando reações indesejadas, como arritmia e "outras complicações graves", diz Marcus Lacerda. As conclusões preliminares já foram enviadas para publicação numa revista científica justamente porque os testes mostraram que a dose maior de cloroquina pode causar danos. E conclusões sobre a segurança dos doentes precisam ser rapidamente conhecidas.

"Quando comparamos os grupos de diferentes doses, vimos mais toxicidade na alta dose. Por isso suspendemos esse braço do estudo", afirma o médico. "Agora todos usarão apenas a baixa dose." "Nosso estudo [até agora] apenas pode afirmar que a dose alta e muito tóxica", conclui Marcus Lacerda.

O uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes com coronavírus viraram uma palavra de ordem do presidente Jair Bolsonaro, que quer liberar o uso mesmo antes da conclusão segura de estudos feitos no Brasil e no mundo.

O ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, tem se recusado a endossar o uso generalizado antes da palavra final dos cientistas.

Acompanhe a cobertura em tempo real da pandemia de coronavírus

 

Veja também

Hyundai e Petz fazem parceria para incentivar adoção responsável de animais
Folha Pet

Hyundai e Petz fazem parceria para incentivar adoção responsável de animais

MPF alertava sobre risco de incêndio na Cinemateca desde julho de 2020
SÃO PAULO

MPF alertava sobre risco de incêndio na Cinemateca desde julho de 2020