Tecnologia é aliada da agropecuária

O uso de novas técnicas de irrigação, como o gotejamento, garante a produção sustentável de alimentos

cana-de-açúcarcana-de-açúcar - Foto: Divulgação

Até 2050, a demanda por alimentos vai aumentar em até 70%, segundo estudos divulgados ano passado, durante a Global Agribusiness Fórum. Neste sentido, buscar alternativas que garantam o aumento da produção dos alimentos de forma sustentável é a saída para conseguir suprir esta demanda crescente.

É nesse contexto que entra a importância da irrigação na agropecuária brasileira, em especial, no plantio da cana-de-açúcar, pois, o investimento em novas tecnologias, como a por gotejamento, é a chave para aumentar não só a produtividade, como também a longevidade do canavial. A temática faz parte do Fórum Nordeste 2019, que será realizado pelo Grupo EQM, na próxima segunda-feira, no Arcádia do Paço Alfândega.

Para o gerente de assuntos governamentais e comercial Nordeste da Netafim Amanco, Luiz Paulo Heimpel, palestrante do Fórum Nordeste 2019 sobre o tema, embora a técnica de irrigação direcionada ou por gotejamento seja recente, em todo o País, dos mais de 20 mil hectares com a tecnologia instalada, 85% estão no Nordeste. Isto porque, com a irrigação por gotejamento, os intervalos de irrigação são normalmente diários, mas o volume de água é menor. “O resultado desse processo é uma redução de cerca de 30% referente aos outros sistemas de irrigação na utilização de água e o incremento produtivo, em alguns casos, chega a mais de 100%”, revela Heimpel.

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Embora não haja nenhuma estatística sobre a implementação da irrigação por gotejamento na área de plantio de cana-de-açúcar em Pernambuco, segundo especialistas na área, a utilização desse tipo de irrigação vem crescendo exponencialmente. Em grande parte, em detrimento das oscilações climáticas da região. Afinal, desde 2011 o Estado sofre com anos de poucas chuvas, e quando o volume é grande, ele não é distribuído com equilíbrio. “Na Mata Norte a característica é de pouca chuva, já na Mata Sul, é diferente. Ou seja, é uma região onde a oscilação climática é grande”, explica o engenheiro agrônomo Djalma Euzébio.

De acordo com ele, a irrigação por gotejamento além de racionalizar mais o uso da água, fortalece mais o solo onde está a cana. “Viabiliza uma adubação mais direcionada, promovendo um aproveitamento maior de fertilizantes. Ou seja, ela traz produtividade, sustentabilidade, eficiência na adubação e longevidade das áreas de plantio, que não precisa ser renovada por no mínimo dez anos”, garante o especialista. Ainda segundo ele, através do gotejamento há uma maior garantia de safra, mesmo em anos de desiquilíbrio hídrico.

Em sintonia com a necessidade de ter mais segurança hídrica para irrigação dos canaviais, a Cooperativa da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (Coaf) fechou, em julho passado, parceria com Naandanjain, multinacional especializada em irrigação de cana-de-açúcar, fruticultura, pastagens e hortifruti em geral. Localizada na Mata Norte, onde historicamente o nível pluviométrico é menor.

“Nossa iniciativa hídrica em prol do setor canavieiro local está em sintonia com a postura da ministra da Agricultura, Teresa Cristina. A gestora tem defendido políticas públicas em irrigação no Nordeste para melhor eficiência produtiva e desenvolvimento socioeconômico”, diz o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco e do Coaf, Alexandre Andrade Lima.

Segundo ele, por meio de uma tecnologia de gotejo, o sistema deve ampliar em até seis vezes a produtividade da cultura não só da cana-de-açúcar, mas também de outras produções que necessitam de irrigação para seu desenvolvimento. “Sempre digo que a maior segurança do produtor é a hídrica. Por isso, estamos investindo em armazenamento, construção de pequenas barragens e soluções em irrigação para nossos associados. Pois essa é a forma mais segura para que o agricultor tenha a condição necessária de não perder a sua cultura em uma seca”, explica Lima, que prevê que o custo da implantação do sistema de irrigação por gotejamento varie entre R$ 4 e R$10 mil, pois depende da cultura e do tamanho da área a ser irrigada.

Produtor vai ganhar financiamento para irrigação

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil está entre os dez países com a maior área equipada para irrigação do mundo, com 6,5 milhões de hectares irrigados. Os líderes mundiais são a China e a Índia, com cerca de 70 milhões de hectares cada, seguidos dos EUA (26,7), do Paquistão (20,0) e do Irã (8,7). Entretanto, a irrigação no nosso País é considerada pequena frente ao potencial estimado, à área agrícola total, à extensão territorial e ao conjunto de fatores físico-climáticos favoráveis, inclusive a boa disponibilidade hídrica. Diante deste cenário, o Banco do Nordeste (BNB) deve lançar em alguns dias uma nova modalidade de financiamento - o Prosinor (Programa de Fomento de Agricultura Irrigada do Nordeste). Trata-se de uma linha de financiamento com juros acessíveis para tanto os pequenos quanto os grandes produtores possam investir em sistemas de irrigação em seus plantios.

O Prosinor é resultado de uma demanda do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através de sua ministra, Tereza Cristina, que após viagem ao Nordeste, em março, afirmou que a missão de sua gestão seria fazer uma política forte voltada para a região. E, a agricultura irrigada é fundamental para o desenvolvimento da região. “O objetivo do programa é ampliar em 120 mil hectares irrigados no Nordeste, conseguir recuperar 20 mil hectares, além de treinar 20 mil produtores e técnicas de irrigação”, revela a diretora do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação (Depros) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Mariane Crespolini, que ressalta que desta forma, será possível aumentar a área de irrigação sem aumentar o desmatamento ilegal. Segundo ela, com o investimento, a expectativa é gerar cerca de 200 mil novos empregos no setor.

Ainda segundo a diretora, a nova modalidade de crédito do BNB terá três faixas de juros. Para o pequeno produtor, o índice será de 5,29%. Já os médios, o percentual será de 5,54% e os grandes produtores, 5,78%. “Mesmo para o grande produtor, a taxa de juros é muito boa. Além disso, em ambas as faixas, o tempo para pagar será de até 12 anos, com carência de quatro anos para começar a pagar”, adianta Crespolini.

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